Escalado desde o início nos últimos jogos, Rollheiser fez dois gols contra o Bahia e um diante do Palmeiras.
(Imagem: Raul Baretta/Santos FC)
O Santos Futebol Clube continua impedido de registrar novos jogadores, mesmo depois de quitar aproximadamente R$ 946 mil em dívidas que provocaram três punições da Fifa na terça-feira (13). A regularização dessas cobranças reduziu o número de restrições, mas não liberou o Peixe para inscrever reforços: quatro transfer bans permanecem ativos, ligados a pendências com integrantes da antiga comissão técnica de Pedro Caixinha.
A situação expõe um problema que vai além de uma cobrança isolada. Para voltar a registrar contratações, o clube precisa resolver os bloqueios ainda vigentes, cada um associado a uma decisão específica. Pagar três débitos não extingue automaticamente as demais sanções.
Por que o Santos ainda não pode contratar jogadores?
O Santos chegou a acumular sete restrições da Fifa. Três delas foram relacionadas a pagamentos do mecanismo de solidariedade, sistema que destina parte dos valores de transferências internacionais a clubes envolvidos na formação dos atletas. Essas pendências foram quitadas pela diretoria na terça-feira.
As outras quatro sanções, entretanto, dizem respeito a obrigações financeiras com o ex-treinador Pedro Caixinha, os auxiliares Pedro Malta e José Pratas e o preparador de goleiros José Francisco Belman. Enquanto essas punições permanecerem em vigor, o Santos seguirá impedido de registrar novos atletas, independentemente da solução dada aos três casos mais recentes.
Quais dívidas o Santos pagou?
Os pagamentos, de aproximadamente R$ 946 mil, estavam associados às negociações de três jogadores: o zagueiro João Basso, o meia Benjamín Rollheiser e o atacante Álvaro Barreal.
As cobranças envolviam repasses vinculados ao mecanismo de solidariedade da Fifa. Entre os clubes relacionados aos valores estavam Paraná Clube, Estudiantes, Sarmiento, River Plate e Vélez Sarsfield. Os débitos foram distribuídos entre uma cobrança em dólares e outras em euros, com valores convertidos para reais conforme a cotação utilizada no levantamento.
O clube efetuou os pagamentos após a formalização das três novas punições. A quitação dessas pendências, porém, não interfere diretamente nos processos movidos por profissionais da antiga comissão técnica.
Quanto o Santos ainda deve à comissão de Pedro Caixinha?
As quatro condenações remanescentes representam uma obrigação de vários milhões de reais. Levantamentos publicados sobre os processos apontam valores em torno de R$ 15 milhões e, em atualizações que consideram juros e outros componentes, cifras superiores a R$ 17,5 milhões. As diferenças exigem cautela: sem uma demonstração consolidada e atualizada do clube, não é possível tratar uma dessas estimativas como saldo definitivo.
Os processos estão relacionados ao encerramento dos vínculos de Caixinha e de membros de sua equipe. As condenações foram examinadas pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), e as decisões que fundamentam as quatro punições já não comportam recurso nessa instância, conforme as informações disponíveis.
O que é transfer ban e como funciona?
O transfer ban é uma sanção que impede um clube de registrar novos jogadores durante o período determinado ou até que sejam cumpridas as condições exigidas para a retirada do bloqueio. A punição não significa que o time esteja proibido de disputar partidas ou de utilizar automaticamente todos os atletas que já estavam regularmente inscritos.
Na prática, a restrição compromete o planejamento do elenco. Mesmo que a diretoria negocie com um possível reforço, a inscrição do jogador depende de o clube estar habilitado pelos órgãos competentes e de observar as regras da janela de transferências.
No caso santista, as punições ligadas à antiga comissão técnica foram impostas por até três janelas de transferências, com possibilidade de retirada mediante regularização nos termos aplicáveis aos processos.
Há risco de mais uma punição da Fifa?
Sim. Além das quatro restrições que permanecem em vigor, o Santos enfrenta outra pendência envolvendo o Al-Markhiya, do Catar, relacionada à passagem do atacante Yusupha Njie pelo clube.
A Corte Arbitral do Esporte confirmou uma decisão relacionada à cobrança, apontada em cerca de R$ 2,2 milhões. A negociação previa o pagamento de 350 mil euros, divididos em sete parcelas de 50 mil euros. Segundo as informações disponíveis, o débito ainda não havia sido regularizado.
Esse processo representa risco de nova sanção, mas não deve ser confundido com os quatro transfer bans já ativos. Uma cobrança pendente e uma punição efetivamente aplicada são situações diferentes.
O que precisa acontecer para o Santos voltar a registrar reforços?
O caminho passa pela solução das pendências que sustentam cada bloqueio e pelo processamento da retirada das sanções nos sistemas competentes. Isso pode envolver pagamento, comprovação de quitação e demais providências exigidas em cada procedimento.
Não basta resolver apenas uma das quatro cobranças se as outras continuarem produzindo efeitos. Também não há, nas informações verificadas, data confirmada para a liberação completa do clube.
Como a situação afeta o planejamento do Peixe?
A permanência das restrições reduz a margem de manobra da diretoria para reforçar o elenco em futuras janelas. A comissão técnica precisa planejar a utilização dos atletas já disponíveis enquanto o departamento financeiro e jurídico busca solucionar os processos.
O episódio também amplia a pressão por transparência sobre o passivo do clube, os prazos de pagamento e a capacidade de evitar novas punições. A quitação de quase R$ 950 mil representou avanço pontual, mas o principal entrave ao registro de reforços permanece.
Em resumo: o Santos resolveu três cobranças ligadas a transferências de atletas, porém segue com quatro transfer bans por dívidas com a antiga comissão de Pedro Caixinha e ainda enfrenta o risco de outra punição por uma pendência internacional. A liberação para registrar novos jogadores dependerá da regularização dos bloqueios remanescentes.