Santos voltou a receber o prêmio de Cidade Mais Inclusiva da World Surf Cities Network (WSCN), a Rede Mundial de Cidades do Surfe. O reconhecimento internacional foi entregue em outubro de 2026, durante encontro em Ericeira, Portugal, e destaca o acesso gratuito ao surfe e ao bodyboard oferecido pelas escolas públicas do município.
A premiação coloca em evidência um trabalho que começou em 1991 e já alcançou mais de 50 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Prefeitura de Santos. A iniciativa atende crianças, adultos, pessoas com mais de 80 anos e alunos com deficiência, mostrando como o esporte pode ser utilizado para ampliar oportunidades de participação e convivência.
Por que Santos recebeu o prêmio internacional?
O reconhecimento foi concedido pela WSCN em razão dos programas municipais de surfe inclusivo, ligados à Secretaria de Esportes. As escolas oferecem atividades gratuitas e desenvolvem práticas adaptadas às necessidades dos participantes, incluindo públicos que historicamente encontram barreiras para acessar modalidades aquáticas.
A cerimônia ocorreu em Ericeira, Portugal, durante encontro internacional que discutiu economia, turismo, inovação, sustentabilidade e inclusão no universo do surfe. A cidade foi representada por Cisco Araña, ligado ao projeto desde sua criação, e César Augusto Andrade, representante da Blue Med Saúde, parceira das escolas.
Onde ficam as escolas públicas de surfe de Santos?
A Escola Radical de Surfe funciona no Posto de Salvamento 2, na Praia da Pompeia. O projeto oferece aulas de surfe e bodyboard a diferentes faixas etárias e atende atualmente cerca de 550 alunos, com destaque para pessoas acima de 50 anos.
Já a Escola Pública de Surfe Adaptado funciona no Posto 3, na Praia do Gonzaga. Inaugurada em 2020, a unidade foi estruturada para ampliar o acesso de pessoas com diferentes tipos de deficiência às atividades no mar.
Os números de atendimento variam conforme o recorte: a Prefeitura informa aproximadamente 550 participantes na Escola Radical, enquanto o coordenador do projeto menciona quase 800 alunos considerando as duas unidades. Esses dados não devem ser tratados como se fossem a mesma contagem.
Quantas pessoas já passaram pelo projeto?
Mais de 50 mil pessoas participaram das aulas desde o início da iniciativa, em 1991, conforme o histórico municipal. A trajetória demonstra continuidade de um programa que atravessou diferentes administrações e ampliou seu público ao longo das décadas.
O total histórico não corresponde ao número de alunos matriculados atualmente. Para quem deseja participar, é necessário consultar diretamente a organização das escolas sobre turmas, critérios e disponibilidade de vagas.
Santos já havia recebido esse prêmio?
Sim. A cidade também foi reconhecida como Cidade Mais Inclusiva pela WSCN em 2023, em cerimônia realizada em Viana do Castelo, Portugal. Na ocasião, o trabalho com alunos acima de 50 anos e as ações de surfe adaptado receberam destaque.
Em 2025, a Escola Radical recebeu ainda o Aloha Award, promovido pela International Surfing Therapy Organization, organização ligada ao uso do surfe em iniciativas de bem-estar e inclusão.
As escolas são patrimônio cultural de Santos?
Em janeiro de 2025, as unidades de surfe da Pompeia e do Gonzaga foram declaradas Patrimônio Imaterial e Cultural de Santos. O reconhecimento valoriza a trajetória social e esportiva das iniciativas e sua contribuição para a identidade da cidade.
A proteção cultural se refere ao trabalho desenvolvido pelas escolas e não significa que a estrutura física esteja dispensada de manutenção ou de investimentos contínuos.
Como o surfe pode ampliar a inclusão?
O acesso ao esporte pode favorecer convivência, atividade física, autonomia e participação comunitária. Em modalidades aquáticas, a adaptação de equipamentos, o acompanhamento de profissionais e a atenção às condições do mar são fundamentais para oferecer experiências seguras a públicos diferentes.
As atividades não devem ser apresentadas como tratamento médico ou garantia de resultados individuais. O valor social está em ampliar o acesso, respeitar limites e criar oportunidades de prática esportiva.
O que a premiação representa para a Baixada Santista?
O reconhecimento internacional também abre espaço para troca de experiências entre municípios. No encontro da WSCN, Itanhaém e Imbituba, em Santa Catarina, foram aprovadas para integrar a rede a partir de janeiro de 2027, ampliando a presença brasileira na organização.
Ao conquistar novamente o prêmio de Cidade Mais Inclusiva, Santos reforça a importância das escolas públicas de surfe como política de acesso ao esporte. O desafio para os próximos anos será manter a gratuidade, a qualidade do atendimento e a capacidade de receber públicos cada vez mais diversos.