O Senado terá, a partir de 2027, ao menos 49 congressistas que defendem o impeachment de ministros do STF.
(Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Um levantamento atualizado após o primeiro turno das eleições aponta 49 senadores que manifestaram posição favorável, em diferentes graus, à possibilidade de admitir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O número é inferior aos 54 votos necessários para uma eventual condenação e perda do cargo no Senado.
A contagem exige cautela: declarações genéricas em defesa do instrumento constitucional não significam compromisso automático com qualquer pedido específico. Alguns parlamentares condicionam a posição à existência de fundamento jurídico e à análise do caso concreto.
Processo não começa por votação do plenário
Pedidos contra ministros do Supremo são apresentados ao Senado, mas sua tramitação depende inicialmente da Presidência da Casa. A simples existência de requerimentos ou de apoio político não abre automaticamente um julgamento.
Se um processo avançar pelas etapas regimentais e legais, o Senado exerce competência constitucional para julgá-lo.
Condenação exige dois terços
Para condenar um ministro e determinar perda do cargo, são necessários dois terços dos 81 senadores, equivalentes a 54 votos. Assim, mesmo tomando as manifestações do levantamento como apoio potencial, o grupo contabilizado permanece cinco votos abaixo desse patamar.
Além disso, a composição política pode mudar e parlamentares podem adotar posições diferentes diante de acusações, provas e fundamentos específicos.
Impeachment exige crime de responsabilidade
O instrumento não funciona como simples voto de desconfiança política. A responsabilização de ministros do STF está ligada à imputação de crime de responsabilidade e deve observar procedimento e garantias jurídicas.
Por isso, números sobre senadores “favoráveis ao impeachment” precisam ser apresentados com o contexto das declarações e sem presumir resultado de uma votação que não ocorreu.
Debate seguirá no novo Senado
A eleição modifica a composição da Casa e influencia a correlação de forças em temas institucionais. O assunto também envolve a escolha da futura Presidência do Senado, responsável por decisões relevantes sobre pedidos apresentados.
O dado atualizado mostra crescimento do debate político em torno do instrumento, mas não demonstra, por si só, maioria suficiente para afastar um ministro nem antecipa como o Senado se comportaria diante de um caso concreto.