A Câmara Municipal de Santos iniciou uma articulação com os legislativos das outras oito cidades da Baixada Santista para cobrar a revisão do esquema 8x2, conhecido como Operação Subida, no Sistema Anchieta-Imigrantes. A iniciativa consta do Requerimento nº 5.471/2026, de autoria do vereador Adriano Catapreta Lugon Ribeiro, protocolado em 15 de outubro. O documento pede que os presidentes das câmaras de São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Bertioga, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe sejam convidados a aderir institucionalmente ao pleito.

A proposta busca transformar uma reivindicação apresentada em Santos em uma mobilização regional. O argumento é que as decisões operacionais do sistema rodoviário afetam moradores de todos os municípios da Baixada, especialmente em feriados e períodos de grande movimento, quando a concessionária e os órgãos responsáveis direcionam a maior parte das pistas para o fluxo de retorno à capital.

O que significa a Operação 8x2

O esquema 8x2 é adotado em períodos de maior demanda no sentido de subida da serra. Na configuração, oito pistas são direcionadas ao fluxo em direção à capital, enquanto duas permanecem destinadas ao sentido litoral, concentradas na Via Anchieta. A operação procura ampliar a capacidade de escoamento dos veículos que deixam a Baixada Santista, mas reduz as opções de deslocamento para quem precisa seguir no sentido contrário durante o período de vigência.

O impacto apontado pelo vereador recai sobre moradores que precisam viajar para a capital ou para outras cidades do planalto em horários de retorno intenso. Trabalhadores, pacientes com consultas, estudantes e pessoas com compromissos fora da região podem ter menos alternativas de deslocamento quando a operação prioriza o fluxo de subida. A reivindicação é que a configuração seja reavaliada considerando também as necessidades de quem vive no litoral.

A Operação Subida não é uma alteração permanente da estrutura física das rodovias. Trata-se de uma configuração operacional aplicada conforme o volume de tráfego e as condições do sistema. A definição das pistas em cada sentido depende de avaliação técnica dos órgãos responsáveis e da concessionária, levando em conta segurança, capacidade, demanda e condições de circulação.

Requerimento pede adesão das oito câmaras municipais

O documento apresentado por Catapreta solicita o envio de ofícios aos presidentes das câmaras de São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Bertioga, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. O objetivo é que os parlamentos municipais participem de uma cobrança conjunta pela revisão do esquema. A medida amplia o alcance político da discussão, mas ainda não representa uma decisão das demais câmaras nem uma determinação dirigida à concessionária.

O requerimento é uma iniciativa parlamentar e precisa ser distinguido de uma mudança operacional efetiva. Mesmo que os legislativos municipais manifestem apoio, a alteração da operação depende de análise e deliberação dos órgãos competentes pelo sistema rodoviário. Até o momento do protocolo, não havia anúncio de mudança nas regras da Operação Subida.

Discussão sobre o modelo existe há anos

A controvérsia sobre a distribuição das pistas em períodos de grande movimento não começou com o requerimento de outubro de 2026. Em 2017, uma audiência pública já havia discutido os efeitos do esquema para moradores do litoral. Na ocasião, foi levantada a possibilidade de questionamento da cobrança de pedágio quando motoristas enfrentam restrições no sentido de descida.

Em 2018, o Procon de Santos levou a discussão ao Ministério Público de São Paulo, que abriu procedimento para analisar a legalidade da operação. A argumentação envolvia direitos dos consumidores e a possibilidade de tratamento tarifário para motoristas afetados. Em 2020, um pedido de liminar relacionado à controvérsia foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão judicial não significou, por si só, que toda discussão operacional estivesse encerrada, mas representou um obstáculo à pretensão apresentada naquele processo.

O histórico mostra que a pauta envolve diferentes dimensões: mobilidade regional, segurança viária, prestação do serviço de concessão e direitos dos usuários. A revisão de uma operação de tráfego exige mais do que uma manifestação política, porque qualquer mudança precisa considerar o comportamento do fluxo nas duas direções e os riscos de congestionamentos em trechos de serra.

O que pode acontecer a partir da articulação

O próximo passo previsto no requerimento é a mobilização das outras câmaras municipais. Caso os legislativos aceitem participar, a região poderá formular uma posição conjunta e encaminhar a reivindicação às autoridades responsáveis pelo Sistema Anchieta-Imigrantes. A adesão, porém, ainda precisa ser confirmada individualmente, e não há prazo divulgado para uma resposta de todos os municípios.

Uma eventual revisão poderá envolver estudos sobre horários de aplicação, critérios para abertura de pistas, volume de veículos, segurança e alternativas para os deslocamentos de moradores. Também será necessário avaliar os efeitos sobre os motoristas que utilizam o sistema para chegar ao litoral e sobre os que retornam à capital. A discussão não se resume a ampliar ou reduzir o número de pistas em um sentido: trata de equilibrar demandas simultâneas em uma ligação rodoviária estratégica.

Para os usuários, a iniciativa ainda não muda a operação nem os valores de pedágio. Até que haja decisão dos órgãos competentes, os motoristas devem continuar acompanhando os avisos oficiais sobre a configuração do Sistema Anchieta-Imigrantes antes de viajar. A articulação liderada pela Câmara de Santos abre uma nova etapa política do debate, mas qualquer mudança concreta dependerá de avaliação técnica e decisão formal.