Representação editorial de pesquisa sobre sistemas de recomendação e conteúdo político em plataformas de vídeos curtos.
(Imagem: gerado por IA)
Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 24 recomendações de vídeos publicados por 11 contas oficiais de candidatos no feed “Para Você” do TikTok durante três dias de testes em setembro. Os perfis analisados constavam da relação informada à Justiça Eleitoral e, segundo as regras aplicáveis, não deveriam receber esse tipo de recomendação orgânica para usuários que não os seguiam.
O levantamento foi realizado entre 14 e 16 de setembro. A constatação é do estudo e deve ser lida dentro de sua metodologia e período de observação; não significa que todo usuário da plataforma tenha recebido os mesmos conteúdos.
Regra busca impedir vantagem algorítmica
Desde 2024, a regulamentação eleitoral determina restrições à recomendação algorítmica e orgânica de conteúdos produzidos por contas oficiais de candidatos. A lógica é evitar que sistemas automatizados ampliem a exposição de determinadas candidaturas sem uma escolha explícita do usuário.
Para as eleições de 2026, plataformas apresentaram planos de conformidade ao Tribunal Superior Eleitoral. No caso do TikTok, o plano divulgado pelo próprio TSE previa que contas oficiais de candidatas e candidatos não fossem recomendadas no “Para Você”. citeturn0search2
Pesquisa encontrou recomendações para perfis não seguidos
Segundo o NetLab, os vídeos apareceram em sessões que não seguiam as contas dos candidatos. A pesquisa utilizou perfis de navegação preparados para observar como o sistema de recomendação se comportava diante de diferentes padrões de consumo de conteúdo.
Os pesquisadores ressaltam que algoritmos de recomendação têm capacidade de alterar a visibilidade de conteúdos e, por isso, são objeto de regras específicas no período eleitoral. O relatório é uma produção independente do laboratório. citeturn0search1
Plataforma afirma atuar em conformidade
O TikTok tem divulgado ações de integridade eleitoral, educação midiática e combate a redes coordenadas e conteúdo manipulado. A existência das recomendações apontadas pelo estudo, contudo, levanta questionamentos sobre a implementação técnica dos filtros anunciados.
A obrigação de controlar o sistema de recomendação é da plataforma; campanhas não controlam diretamente quais vídeos o algoritmo distribui organicamente.
Resultado não mede preferência eleitoral
O número de recomendações observado não deve ser transformado em ranking de força política, intenção de voto ou vantagem eleitoral. O estudo analisa o comportamento do sistema em condições específicas e busca verificar conformidade com a norma.
O ponto central é institucional: plataformas que operam sistemas de recomendação precisam demonstrar que os mecanismos aplicados durante a campanha cumprem as restrições estabelecidas pela Justiça Eleitoral de maneira consistente.