Novos medicamentos biológicos aprovados pela Anvisa buscam facilitar a adesão ao tratamento e reduzir custos.
(Imagem: gerado por IA)
A busca por tratamentos mais eficazes para doenças crônicas e autoimunes acaba de ganhar um novo fôlego no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou o registro de dois novos medicamentos que prometem transformar a rotina de quem convive com condições severas, como a psoríase, a doença de Crohn e a asma grave. A medida, publicada nesta segunda-feira (11), não apenas amplia o leque de opções terapêuticas, como também introduz tecnologias que privilegiam a conveniência do paciente e a redução de custos no sistema de saúde.
Yesintek: Mais acesso para doenças inflamatórias e autoimunes
O primeiro destaque é a aprovação do Yesintek (ustequinumabe). Ele chega ao mercado como um medicamento biossimilar, o que, na prática, significa que ele possui a mesma eficácia, segurança e qualidade do produto biológico de referência, o Stelara, mas com um potencial de custo mais competitivo. O Yesintek é indicado para uma série de condições complexas, incluindo psoríase em placas (moderada a grave), artrite psoriásica, doença de Crohn e colite ulcerativa.
Para pacientes com psoríase, o foco está naqueles que não responderam bem às terapias convencionais, como a fototerapia ou o uso de ciclosporina. O medicamento foi autorizado tanto para adultos quanto para crianças acima de 6 anos, representando um avanço significativo para o público pediátrico que sofre com os impactos sociais e físicos da doença. No caso da doença de Crohn, o tratamento é voltado para adultos com quadros moderados a graves que não tiveram sucesso com terapias biológicas anteriores, como os anti-TNF-alfa.
Avanço na asma grave: Apenas duas doses por ano
A segunda grande novidade é o registro do Densurko (depemoquimabe), uma solução injetável voltada para o tratamento da asma e da rinossinusite crônica com pólipos nasais em estágios graves. O grande diferencial deste medicamento é a sua posologia: o tratamento prevê apenas uma dose a cada seis meses.
Essa característica é um divisor de águas para a adesão ao tratamento. Pacientes com asma do tipo 2, caracterizada pelo excesso de eosinófilos no sangue, frequentemente enfrentam crises recorrentes que exigem idas frequentes ao hospital. Com o Densurko, os estudos clínicos demonstraram uma redução drástica na taxa de exacerbações quando comparado ao uso de placebos. Para a rinossinusite crônica, o remédio é indicado para adultos que já passaram por cirurgias ou usaram corticosteroides sem obter o controle adequado da inflamação.
Impacto direto no sistema de saúde e no bolso
A chegada de medicamentos biossimilares, como o Yesintek, é fundamental para o equilíbrio financeiro do setor de saúde, tanto público quanto privado. Medicamentos biológicos são conhecidos por seu alto valor agregado, e a concorrência trazida por biossimilares costuma pressionar os preços para baixo, facilitando a incorporação dessas tecnologias em protocolos do SUS e em planos de saúde.
Além do fator econômico, há o ganho em qualidade de vida. A possibilidade de tratar uma asma grave com apenas duas aplicações anuais reduz o estresse do paciente e diminui a sobrecarga das unidades de saúde. Segundo especialistas, a precisão dessas novas terapias biológicas permite que o paciente retome atividades cotidianas que antes eram limitadas pela falta de ar ou por lesões extensas na pele.
Como ter acesso aos novos tratamentos?
Apesar do registro concedido pela Anvisa, o acesso imediato depende de trâmites comerciais e da definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Pacientes interessados devem consultar seus médicos especialistas, dermatologistas, pneumologistas ou gastroenterologistas, para avaliar se o perfil clínico se encaixa nas indicações aprovadas. A tendência é que, nos próximos meses, esses nomes passem a figurar com frequência nas prescrições médicas de alta complexidade em todo o país.