A Operação Bazaar, deflagrada pelo Gaeco do MP de SP com apoio da PF, mira corrupção policial que protegia lavagem de capitais.
(Imagem: Polícia Federal/divulgação)
O Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Bazaar, uma ação conjunta com a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). A operação visa desmantelar um esquema de corrupção policial que garantia proteção a uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro.
Até o momento, quatro suspeitos já foram presos, entre policiais civis, advogados, doleiros e operadores financeiros. O grupo atuava de forma estruturada, com pagamentos constantes de propina a agentes públicos para manipular investigações, fraudar processos e destruir provas, assegurando a impunidade de suas atividades ilícitas.
Detalhes da operação e mandados cumpridos
A Justiça autorizou o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em delegacias de polícia, 11 mandados de prisão preventiva e seis intimações para medidas cautelares diversas. As buscas ocorreram em residências, escritórios de advocacia e unidades policiais estratégicas, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPPC) e o 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.
Entre os bens apreendidos, destacam-se carros de luxo de marcas como Jaguar, Porsche e BMW, evidenciando o fluxo financeiro ilícito investigado. As investigações revelam que o esquema infiltrou-se em departamentos chave da Polícia Civil paulista, transformando unidades policiais em balcões de negócios criminosos.
- 25 mandados de busca e apreensão em endereços variados, incluindo delegacias.
- 11 mandados de prisão preventiva, com pelo menos quatro cumpridos inicialmente.
- Seis mandados de intimação para medidas cautelares alternativas.
- Apreensão de veículos de luxo e bloqueio de bens e valores dos investigados.
Perfil dos investigados e modus operandi
Os alvos incluem um delegado, como João Eduardo da Silva, do 35º Distrito Policial no Jabaquara, um escrivão, quatro investigadores, três advogados, dois doleiros conhecidos como Leonardo Meirelles e Meire Poza, ex-figurantes da Operação Lava Jato, além de empresários. Esses doleiros, com experiência em lavagem de capitais, contavam com a conivência policial para operar livremente.
O modus operandi envolvia propinas milionárias. Em um caso flagrado, policiais do 16º DP exigiram R$ 5 milhões para arquivar investigação sobre lavagem de dinheiro. Os criminosos pagavam regularmente para paralisar inquéritos, alterar procedimentos e eliminar evidências, garantindo a continuidade do esquema de lavagem de dinheiro.
A organização criminosa utilizava empresas de fachada para movimentar valores ilícitos, convertendo dinheiro vivo em créditos de vale-refeição e outros meios para dissimular a origem dos recursos. Essa sofisticação permitia a lavagem de capitais oriundos de atividades criminosas variadas.
Impactos na segurança pública e respostas institucionais
A Operação Bazaar expõe uma corrupção sistêmica na Polícia Civil de São Paulo, comprometendo a credibilidade das instituições e a eficácia no combate ao crime organizado. A infiltração em delegacias especializadas fragiliza investigações sobre crimes graves, como lavagem de dinheiro e corrupção, permitindo que organizações criminosas prosperem.
Em resposta, a Polícia Civil determinou apurações administrativas em todas as unidades afetadas, com afastamento imediato dos envolvidos e análise interna para prevenir novas ocorrências. A Corregedoria Geral da Polícia Civil participa ativamente, reforçando o controle interno.
- Comprometimento de investigações em departamentos como Deic e DPPC.
- Afastamento e processos administrativos para policiais investigados.
- Reforço na Corregedoria para auditoria em unidades policiais.
- Impacto na confiança pública nas forças de segurança.
Consequências e próximos passos da investigação
Os presos foram levados para unidades da Polícia Federal, onde permanecem à disposição da Justiça. As prisões preventivas visam garantir a ordem pública e a efetividade da persecução penal, evitando interferências nos autos. Bloqueios judiciais de bens e valores buscam recuperar ativos ilícitos para o erário público.
A operação demonstra o compromisso das instituições com o combate à corrupção interna, especialmente em estruturas sensíveis como a polícia judiciária. Especialistas apontam que ações como essa fortalecem o sistema de justiça, mas demandam reformas estruturais para prevenir infiltrações criminosas.
Os investigadores continuam analisando materiais apreendidos, como documentos, dispositivos eletrônicos e valores em espécie, para mapear toda a rede e identificar ramificações. Atualizações sobre novas prisões ou desdobramentos são esperadas nos próximos dias, com possível expansão para outros estados.
Essa Operação Bazaar reforça a importância de mecanismos de controle e transparência nas forças policiais, impactando diretamente a segurança pública e o combate ao crime organizado no Brasil. A sociedade acompanha de perto os desdobramentos, aguardando justiça plena.