Técnico realiza teste com tomógrafo de impulso em tronco de árvore para avaliar densidade da madeira.
(Imagem: gerado por IA)
Com a chegada da temporada de chuvas intensas e ventos fortes, a Prefeitura de Guarujá decidiu elevar o nível de monitoramento do seu patrimônio arbóreo. Através da Secretaria de Meio Ambiente, o município iniciou a utilização de um tomógrafo de impulso, equipamento de última geração que permite realizar uma espécie de 'raio-X' das árvores centenárias e de grande porte localizadas em vias públicas. A medida visa identificar riscos estruturais que não são visíveis a olho nu, prevenindo tragédias e quedas inesperadas.
Como funciona o 'exame' nas árvores
Diferente de uma avaliação visual comum, onde o técnico observa apenas o estado das folhas e do tronco externo, a tomografia arbórea penetra na densidade da madeira. O processo envolve a instalação de sensores ao redor do tronco, que são conectados a um computador. Através de leves batidas com um martelo eletrônico, o equipamento mede a velocidade de propagação de ondas sonoras através do caule.
Se a onda sonora viaja rápido, a madeira está densa e saudável. Caso demore a passar, é um sinal claro de que existem ocos, fungos ou apodrecimento interno. O resultado é um gráfico colorido, uma imagem tomográfica que mostra exatamente onde a árvore está comprometida. Áreas verdes indicam saúde, enquanto tons de vermelho e azul sinalizam perigo iminente de colapso estrutural.
Segurança pública e preservação ambiental
O uso dessa tecnologia resolve um dos maiores dilemas da gestão urbana: decidir quando remover uma árvore. Muitas vezes, uma árvore pode parecer doente por fora, mas estar perfeitamente sólida por dentro. Por outro lado, árvores que aparentam robustez podem estar completamente ocas, representando um risco invisível para pedestres, motoristas e para a rede elétrica.
“A tomografia nos dá a precisão necessária para não remover árvores de forma desnecessária”, explicam técnicos envolvidos no projeto. Com os dados em mãos, a prefeitura consegue planejar intervenções cirúrgicas, como podas de equilíbrio, ou, em casos extremos, a substituição programada do exemplar antes que ele caia durante uma tempestade. O foco inicial da varredura são as regiões da Orla e avenidas com grande fluxo de pessoas, onde o impacto de uma queda seria devastador.
Prevenção contra tempestades
Historicamente, cidades litorâneas sofrem com a combinação de solo úmido e rajadas de vento que acompanham as frentes frias. No Guarujá, o mapeamento tecnológico surge como uma resposta estratégica para mitigar esses danos. Além de proteger a vida humana, a iniciativa preserva o ecossistema urbano, permitindo que árvores saudáveis continuem cumprindo seu papel de amenizar o calor e melhorar a qualidade do ar.
A expectativa é que o monitoramento se torne uma rotina permanente no manejo da arborização urbana da cidade. Os moradores que identificarem árvores com sinais suspeitos, como inclinação excessiva, rachaduras ou presença de muitos cogumelos no tronco, podem solicitar a avaliação da Secretaria de Meio Ambiente. O cruzamento de dados tecnológicos com a observação da comunidade é a aposta do Guarujá para uma cidade mais segura e resiliente aos desafios climáticos modernos.