Vereadores e Secretaria de Saúde discutem a descentralização do SAMU em Cubatão para atender bairros periféricos e de difícil acesso.
(Imagem: gerado por IA)
A morte repentina do padre Oscar Vasconcelos de Souza Filho, ocorrida no último domingo enquanto se preparava para uma missa, transformou uma demanda antiga em prioridade absoluta na política de Cubatão. A pressão pela instalação de uma ambulância fixa no bairro Vale Verde ganhou novos contornos nesta semana, com vereadores e Secretaria de Saúde discutindo estratégias para furar o bloqueio logístico que separa o bairro do atendimento de emergência.
O gargalo dos condutores
Durante reunião na Câmara Municipal, o diagnóstico ficou claro: o problema não é a falta de veículos. O município possui ambulâncias excedentes, mas não tem profissionais habilitados para conduzi-las. Segundo Gisela Vaz, chefe de serviços do SAMU, o órgão já formalizou o pedido para o reforço no quadro de motoristas, que hoje é o principal impeditivo para a descentralização.
Atualmente, as bases fixas operam concentradas no Jardim Casqueiro. Para o vereador Marcinho (PSB), a distância e os constantes congestionamentos nos acessos ao Vale Verde e bairros vizinhos são fatais. "Se você tem uma ambulância fixa no bairro, ganha-se metade do tempo, o que é decisivo em casos de vida ou morte", defendeu o parlamentar.
Revisão contratual e novas bases
A Secretaria de Saúde, liderada por Joyciene Montes, indicou que a solução pode vir de uma revisão no contrato com o Instituto Alpha, organização social que gere o SAMU e o Pronto-Socorro Central. A ideia é incluir a contratação de motoristas no pacote de serviços para colocar em operação duas unidades móveis que hoje estão paradas por falta de pessoal.
Além do Vale Verde, o plano de expansão mira as regiões de Cotas, Fabril, Pilões e Água Fria. A proposta é que a base no Vale Verde funcione como um polo regional, atendendo todo o entorno e desafogando a rede central, reduzindo o tempo de resposta em áreas periféricas onde o acesso é historicamente complexo.
Reforço na rede privada
Enquanto o poder público tenta resolver o entrave operacional, o setor privado sinaliza investimentos na cidade. O Grupo Trasmontano deve inaugurar, ainda no primeiro semestre deste ano, uma nova unidade de pronto atendimento da rede IGESP na Avenida 9 de Abril. O equipamento faz parte de um plano de expansão na Baixada Santista e deve oferecer um respiro adicional à rede de saúde local.
Uma nova rodada de negociações entre a prefeitura e o Instituto Alpha está marcada para o dia 6 de maio. Até lá, o governo municipal precisará apresentar um cronograma concreto de contratações para evitar que novas tragédias, como a que vitimou o líder religioso local, voltem a ocorrer por demora no socorro.