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Fauna marinha

DNA Ambiental: Tecnologia de ponta mapeia fauna marinha no litoral da Bahia

Projeto inovador utiliza DNA ambiental para identificar espécies marinhas na Bahia sem capturar animais, auxiliando na conservação e combate a espécies invasoras.

16 mai 2026 - 11h42 Joice Gomes
DNA Ambiental: Tecnologia de ponta mapeia fauna marinha no litoral da Bahia Pesquisadores realizam coleta de amostras de água para análise de DNA ambiental em reserva marinha. Foto: Roberto Sforza/Divulgação (Imagem: gerado por IA)

Inovação genética nas águas baianas

O monitoramento da biodiversidade marinha no Brasil acaba de ganhar um reforço tecnológico que parece ter saído das telas de cinema. Uma nova etapa do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) está utilizando o chamado DNA Ambiental (eDNA) para mapear a fauna no sul da Bahia. A iniciativa, liderada pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) em parceria com o ICMBio, permite identificar quais animais habitam ou passaram por uma região apenas analisando amostras de água, sem a necessidade de capturar um único espécime.

O trabalho concentra-se em duas áreas de conservação vitais: as Reservas Extrativistas (RESEXs) de Corumbau e Cassurubá. A técnica utilizada, conhecida como metabarcoding, funciona como uma espécie de perícia criminal da natureza. Todo organismo vivo, ao se deslocar pelo ambiente, libera fragmentos de DNA por meio de escamas, muco, fezes ou urina. Ao coletar e sequenciar esse material genético disperso na água, os cientistas conseguem obter uma lista completa da biodiversidade local.

Um 'CSI' da biodiversidade marinha

Diferente dos métodos tradicionais de monitoramento, que muitas vezes exigem mergulhos complexos, redes de captura ou observação visual direta, o DNA Ambiental é não invasivo e altamente eficiente. De acordo com os pesquisadores, essa abordagem consegue detectar até mesmo espécies raras ou de hábitos elusivos, que dificilmente seriam vistas por olhos humanos. No projeto-piloto na Bahia, foram estabelecidos 20 pontos de coleta em Corumbau e 10 em Cassurubá, abrangendo desde áreas recifais até regiões estuarinas.

A escolha dos locais não foi aleatória. O analista ambiental do ICMBio, Roberto Sforza, explica que as equipes consideraram áreas de interesse para a pesca artesanal e locais onde espécies ameaçadas de extinção costumam transitar. Um dos grandes alvos do mapeamento são os budiões, peixes coloridos essenciais para a saúde dos recifes de coral, mas que enfrentam sérios riscos de desaparecimento. Além deles, a pesquisa monitora alvos frequentes da pesca, como camarões e caranguejos-uçá.

Combate a invasores e o efeito 'Jurassic Park'

Além de proteger o que é nativo, a tecnologia serve como um sistema de alerta precoce contra espécies exóticas invasoras, como o peixe-leão e o coral-sol. Esses invasores podem desequilibrar ecossistemas inteiros se não forem detectados rapidamente. O pesquisador Alexandre Aleixo, coordenador do GBB pelo ITV, faz uma analogia curiosa com a cultura pop para explicar a facilidade da coleta: 'É como a técnica do filme Jurassic Park, onde se retirava o DNA do dinossauro de dentro de um mosquito. Nós fazemos algo semelhante, mas com amostras reais de água, solo e ar'.

A coleta em si é simples e não exige equipamentos pesados. Usando luvas e máscaras para evitar a contaminação da amostra com DNA humano, os técnicos utilizam tubos e sistemas de filtragem. Após a coleta, o material é enviado para o laboratório do ITV em Belém, no Pará, onde ocorre o sequenciamento genético e a comparação com bancos de dados globais.

Cápsula do tempo e o futuro do clima

O projeto GBB, em operação desde 2023, já gerou mais de 40 genomas de referência de espécies icônicas como a onça-pintada, a arara-azul e a anta. Para os cientistas, o genoma funciona como uma 'cápsula do tempo'. Ao estudar o mapa genético de uma espécie, é possível entender como ela sobreviveu a mudanças climáticas drásticas no passado, como a última Era do Gelo. Essa informação é crucial para prever como a fauna brasileira irá reagir ao aquecimento global contemporâneo e quais populações possuem maior resiliência genética.

O objetivo final é que essa metodologia seja integrada ao Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora), otimizando recursos e aumentando a precisão das políticas de conservação em todo o território nacional. Com o sucesso nas áreas marinhas, o GBB planeja expandir a atuação para outros biomas brasileiros, como o Pantanal e o Cerrado, consolidando o Brasil na vanguarda da genética ambiental aplicada à preservação.

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