Trilhos históricos na Baixada Santista que podem integrar a nova rota turística estadual.
(Imagem: gerado por IA)
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, colocou novamente o sistema ferroviário no topo das prioridades estratégicas do estado ao anunciar a intenção de criar um novo trem turístico ligando a Baixada Santista ao Vale do Ribeira. A proposta, apresentada durante recentes agendas oficiais na região, visa não apenas resgatar a memória ferroviária paulista, mas transformar o que hoje são trilhos subutilizados ou abandonados em um dos roteiros turísticos mais contemplativos do Brasil.
O resgate da antiga linha Santos-Juquiá
A ideia central gira em torno da reativação da histórica linha que pertencia à antiga Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.), conhecida por cortar cenários de Mata Atlântica preservada e margear o litoral sul paulista. O trecho, que no passado foi vital para o escoamento de bananas e o transporte de passageiros, sofreu com o abandono nas últimas décadas após a privatização e a desativação de diversos serviços.
Para Tarcísio, a volta do trem representa uma oportunidade de ouro para o desenvolvimento regional. O governador visualiza um trajeto que possa conectar cidades como Itanhaém, Peruíbe, Itariri e Cajati, criando um corredor de visitação que beneficie hotéis, restaurantes e o comércio local. A região do Vale do Ribeira, historicamente uma das mais carentes de investimentos do estado, seria a principal beneficiada pela nova dinâmica econômica trazida pelo fluxo de visitantes.
Um novo modelo de exploração
Diferente das ferrovias de carga pesada, o projeto do trem turístico em São Paulo foca na experiência do passageiro. O plano prevê composições modernas com janelas amplas para observação da fauna e flora locais, possivelmente operadas por meio de parcerias público-privadas (PPPs). "Queremos transformar esses trilhos em um vetor de desenvolvimento, aproveitando a beleza natural que o trajeto oferece", destacou o governador em fala recente.
Especialistas em logística apontam que o maior desafio será a recuperação da infraestrutura física. Muitos trechos da linha sofreram com a erosão, invasões de faixa de domínio ou simplesmente o desgaste do tempo. No entanto, o governo estadual acredita que o apelo turístico e o potencial de baixo impacto ambiental tornam o projeto viável e atraente para investidores privados que buscam diversificar seus portfólios no setor de entretenimento e transporte.
Impacto na Baixada Santista
Para os moradores e turistas que frequentam a Baixada Santista, o trem representaria uma alternativa de lazer inédita. Atualmente, o deslocamento entre a Baixada e o Vale do Ribeira é feito quase exclusivamente via rodoviária, pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. A introdução de uma via férrea turística desafoga o trânsito nos períodos de alta temporada e oferece uma opção de transporte sustentável, algo que está em alta no mercado global de viagens.
Além do turismo, o governo não descarta que, a longo prazo, trechos recuperados possam servir para o transporte regional de passageiros de baixa densidade, integrando melhor as cidades litorâneas. A proposta ainda está em fase de estudos de viabilidade técnica, mas a sinalização política clara de Tarcísio de Freitas já mobilizou prefeituras locais, que enxergam na "ressurreição" da ferrovia a chance de colocar suas cidades em um novo patamar de relevância nacional.