Força-tarefa desarticula esquema altamente lucrativo de furto de gasolina e diesel que fraudava lacres de transportadoras em Duque de Caxias.
(Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)
A farsa dos lacres supostamente invioláveis no transporte de combustíveis sofreu um duro golpe na Baixada Fluminense. Uma força-tarefa desarticulou, nesta sexta-feira (3), um esquema altamente lucrativo de furto, armazenamento e venda ilegal de gasolina, etanol e diesel que operava em Duque de Caxias. A ação integrada resultou na prisão em flagrante de seis pessoas e na interdição de um galpão clandestino conhecido no jargão policial como "biqueira", onde o combustível desviado era estocado sem qualquer medida de segurança.
A ofensiva reuniu agentes da Operação Foco, ligada ao Gabinete de Segurança Institucional do Rio de Janeiro (GSI-RJ), fiscais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delfaz). Ao todo, as equipes apreenderam 12.200 litros de combustíveis armazenados de forma totalmente irregular, além de R$ 22.750 em espécie, quantia que era usada para pagar os motoristas cúmplices do esquema criminoso.
Como funcionava a engrenagem do crime
O esquema investigado revela uma impressionante facilidade de burlar a segurança das distribuidoras. Segundo as autoridades, a fraude começava logo na saída das bases de carregamento. Os caminhões-tanque deixavam as distribuidoras com lacres incompatíveis com as notas fiscais emitidas. Esse detalhe, que passava despercebido no fluxo diário de entregas, era a chave para a execução do crime.
Durante o trajeto até o destino final, os motoristas desviavam o veículo para o galpão clandestino em Duque de Caxias. Ali, eles retiravam aproximadamente 20 litros de combustível de cada um dos oito compartimentos do tanque, totalizando cerca de 160 litros subtraídos por viagem. Pelo "serviço", o motorista recebia R$ 70 em dinheiro vivo para cada galão entregue na biqueira.
Após a retirada clandestina do combustível, os compartimentos do caminhão recebiam os lacres definitivos e corretos, correspondentes à documentação fiscal da carga. Com essa manobra, as transportadoras e os postos de destino recebiam as cargas aparentemente intactas, dificultando drasticamente a identificação imediata da fraude pelas empresas contratantes.
Apreensões e riscos aos motoristas e consumidores
No galpão interditado, as equipes de fiscalização encontraram uma verdadeira bomba-relógio. Foram localizados 5.000 litros de gasolina comum, 1.000 litros de gasolina aditivada, 2.300 litros de etanol, além de 1.000 litros de diesel S500 e 2.900 litros de diesel S10. Todo esse volume estava armazenado de forma improvisada, em recipientes inadequados e sem qualquer tipo de proteção contra incêndios ou vazamentos que poderiam contaminar o solo da região.
Além do combustível e do montante financeiro utilizado para subornar os caminhoneiros, as forças de segurança interceptaram dois caminhões-tanque diretamente envolvidos na fraude. Um deles já estava estacionado dentro do galpão passando pelo processo de descarregamento ilegal, enquanto o outro foi bloqueado pelas viaturas no momento exato em que tentava deixar o local.
O impacto financeiro e a concorrência desleal
O combustível desviado era vendido no próprio galpão por valores muito inferiores aos praticados pelos postos regulares da região, alimentando um mercado ilegal que enfraquece o comércio formal. O secretário do GSI-RJ, Roberto Lizandro Leão, alertou para as graves consequências desse tipo de atividade ilícita para o mercado e para a sociedade.
"Postos clandestinos de combustíveis causam prejuízos bilionários aos cofres públicos, estimulam a concorrência desleal e representam riscos severos à segurança da população, principalmente pela comercialização de produtos sem qualquer controle de qualidade ou procedência garantida", destacou o secretário.
A fraude não apenas gera perdas na arrecadação tributária do Estado do Rio de Janeiro, mas também danifica motores de veículos que acabam consumindo combustível armazenado sem padrões técnicos. A Operação Foco garantiu que as ações de inteligência e fiscalização serão intensificadas na região para identificar novas ramificações dessa rede criminosa que atua na cadeia de distribuição de derivados de petróleo.