Supertufão Bavi devasta ilhas americanas no Pacífico.
(Imagem: gerado por IA)
O extremo oeste do Oceano Pacífico enfrenta um de seus cenários mais desafiadores dos últimos anos. O supertufão Bavi, classificado com a força devastadora de um furacão de categoria 5, atingiu em cheio os territórios norte-americanos das Ilhas Marianas do Norte e de Guam. O fenômeno meteorológico extremo provocou um rastro de destruição física e isolamento digital completo em várias localidades, com rajadas de vento que alcançaram a impressionante marca de 350 km/h.
Segundo dados emitidos pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos, o olho do supertufão posicionou-se diretamente sobre a pequena ilha de Rota, a mais meridional do arquipélago das Marianas do Norte. Movendo-se a passos lentos em direção ao oeste, o ciclone prolongou o período de terror para os moradores locais, que foram obrigados a permanecer confinados em abrigos de emergência sob condições extremas de vento e chuva torrencial.
Isolamento e destruição na ilha de Rota
Com uma população de aproximadamente 1.500 habitantes, a ilha de Rota tornou-se o epicentro da crise humanitária provocada pelo Bavi. Poucas horas após o início do impacto, as comunicações com a localidade foram interrompidas quase por completo. A queda de uma importante torre de transmissão de telefonia celular silenciou os canais tradicionais de contato, dificultando o levantamento oficial dos estragos pelas equipes de resgate na região da orla e no interior.
Lou Rosario, porta-voz do centro operacional da Prefeitura de Rota, conseguiu emitir um breve relato sobre a situação dramática no território antes que os sistemas de comunicação falhassem totalmente. "Estamos resistindo como podemos. Enfrentamos ventos extremamente violentos e inundações severas por toda a parte. Diversos moradores já reportaram danos estruturais graves em suas propriedades", afirmou a porta-voz.
Previsões catastróficas se confirmam
O Serviço Nacional de Meteorologia já havia alertado de forma contundente sobre os riscos de um impacto direto do supertufão Bavi em Rota. De acordo com os meteorologistas federais, a força descomunal dos ventos tem potencial para tornar grande parte da ilha inabitável por semanas ou até meses. Residências que não possuem estruturas de concreto armado ou reforços especiais correm sério risco de colapso total das paredes e perda completa de suas coberturas.
Além do colapso habitacional, a infraestrutura verde e de plantio foi severamente comprometida. Estimativas apontam que quase a totalidade das árvores locais foi quebrada ou arrancada pela raiz, obstruindo vias públicas e isolando comunidades inteiras. A queda em massa de postes de energia elétrica deve deixar a região sem abastecimento elétrico e sem água encanada por um longo período, prejudicando gravemente o turismo local.
Impacto regional e histórico recente de ciclones
A fúria do supertufão Bavi não se limitou a Rota. Territórios vizinhos como as ilhas de Tinian, o norte de Guam e o sul de Saipan também sofreram com ventos equivalentes aos de um furacão de categoria 1. Em Guam, lar de uma importante base militar norte-americana, a previsão é de que o acumulado de chuvas atinja marcas históricas entre 20 e 30 centímetros, gerando alertas máximos para inundações urbanas e deslizamentos de terra.
Este novo desastre climático ocorre em um momento de extrema vulnerabilidade para a região do Pacífico. Em abril deste mesmo ano, o supertufão Sinlaku já havia devastado as mesmas ilhas, destruindo o plantio agrícola, destelhando residências e deixando milhares de pessoas sem energia. Somado a isso, o ano de 2023 ainda está vivo na memória dos moradores devido à passagem do tufão Mawar, considerado o pior ciclone a atingir Guam em décadas.
À medida que o supertufão Bavi se afasta lentamente, as autoridades locais e federais dos Estados Unidos iniciam os planos de contingência e ajuda humanitária. O grande desafio agora será restabelecer os canais de comunicação para mapear as reais necessidades das populações afetadas e iniciar a longa e dispendiosa reconstrução de uma das regiões mais expostas às mudanças climáticas globais.