Grupo entrou por imóvel em obras na Oscar Freire, atravessou lojas vizinhas, desligou alarmes e cobriu câmeras internas com papel alumínio.
(Imagem: Divulgação/PM)
Uma quadrilha furtou aproximadamente R$ 5 milhões em joias e outros objetos de valor de um estabelecimento na Rua Oscar Freire, em São Paulo, na segunda-feira (12). A investigação aponta que os criminosos utilizaram um imóvel em obras como porta de entrada e abriram passagens nas paredes de lojas vizinhas até chegar à joalheria, localizada na região de Cerqueira César, na zona oeste da capital.
O caso chama a atenção pela sequência de barreiras rompidas, pela tentativa de neutralizar sistemas de segurança e pelo alto valor estimado dos produtos levados. Até a última atualização confirmada sobre a ocorrência, não havia informação de prisões ou recuperação das peças.
Como a quadrilha chegou à joalheria?
De acordo com as informações reunidas pela Polícia Civil, os suspeitos teriam entrado inicialmente em um imóvel que passava por obras. Em vez de acessar a joalheria diretamente pela rua, romperam paredes internas e atravessaram dois estabelecimentos comerciais de roupas.
O trajeto teria envolvido até quatro pontos comerciais. A abertura de passagens entre imóveis permitiu que o grupo alcançasse a área onde estavam guardadas as mercadorias de maior valor. Produtos das lojas vizinhas também teriam sido furtados.
A reconstrução completa do percurso ainda depende dos levantamentos periciais e dos elementos reunidos durante a investigação.
Câmeras cobertas e alarmes desligados
Os investigadores apuram como os criminosos conseguiram desativar sistemas de alarme e cobrir câmeras internas com papel-alumínio. A estratégia teria sido utilizada para dificultar o registro de imagens dentro dos estabelecimentos.
Apesar disso, câmeras externas registraram pessoas deixando a região com sacolas e sacos. As imagens fazem parte do material que pode ajudar na identificação dos envolvidos e na reconstrução da cronologia do furto.
Grupo ficou 18 horas dentro das lojas?
Uma das hipóteses investigadas é a de que os criminosos tenham permanecido aproximadamente 18 horas nos imóveis antes da fuga. Esse período, porém, ainda não deve ser tratado como conclusão definitiva: a polícia precisa confrontar registros de câmeras, horários de movimentação e outros vestígios.
Também está sob apuração a informação de que garrafas de champanhe teriam sido abertas no local. O detalhe não esclarece, por si só, a duração da ação nem identifica os responsáveis.
O que foi levado e qual o prejuízo?
A estimativa inicial é de cerca de R$ 5 milhões em joias, relógios e outras peças de alto valor. O montante pode ser revisto após a conferência de estoques, documentos comerciais e avaliações dos itens desaparecidos.
Como mercadorias de outros estabelecimentos também foram levadas, o prejuízo total poderá depender de levantamentos adicionais. Até o momento, não há base suficiente para apresentar uma lista definitiva das peças furtadas.
Investigação está com a Polícia Civil
O caso foi registrado no 78º Distrito Policial, nos Jardins, como furto qualificado. Equipes policiais recolheram vestígios e analisam imagens de segurança. O Departamento Estadual de Investigações Criminais também participou dos trabalhos relacionados à ocorrência.
A Polícia Militar foi acionada, mas os suspeitos já haviam deixado a área quando as equipes chegaram. A identificação dos integrantes da quadrilha, a eventual participação de outras pessoas e o destino das joias permanecem entre os pontos a esclarecer.
Por que o crime é tratado como furto?
Embora o prejuízo seja elevado, a classificação jurídica divulgada para a ocorrência é de furto qualificado. Em linhas gerais, o furto envolve a subtração de bens sem emprego de violência ou grave ameaça contra a vítima, diferentemente do roubo. O enquadramento final depende da investigação e da análise das circunstâncias do caso.
A utilização de rompimento de obstáculos e outros meios de execução pode ser relevante para a apuração das qualificadoras previstas em lei.
O que falta esclarecer
Os investigadores ainda precisam determinar quantas pessoas participaram diretamente da ação, quando cada etapa foi executada, como os sistemas de segurança foram neutralizados e para onde os objetos foram levados.
O valor de R$ 5 milhões é uma estimativa inicial, e a hipótese de permanência de 18 horas não está confirmada como fato conclusivo. Novas informações oficiais poderão alterar o entendimento sobre a dinâmica do crime.