A cidade de Itanhaém, no litoral de São Paulo, deu um passo para enfrentar um problema que há décadas preocupa pescadores e usuários de embarcações: o assoreamento da foz do Rio Itanhaém, na região da Boca da Barra. A Prefeitura assinou um convênio que garante R$ 1.686.926,58 para estudos técnicos destinados a compreender a movimentação de sedimentos e avaliar alternativas de intervenção.

O projeto não representa o início imediato de uma obra de dragagem ou desassoreamento. O objetivo desta etapa é produzir uma base científica atualizada para identificar soluções tecnicamente viáveis, considerando os efeitos sobre a navegação, a pesca, o turismo náutico e o ambiente costeiro. O prazo previsto para a contrapartida técnica municipal é de 24 meses.

Quanto será investido no estudo do Rio Itanhaém?

O investimento total previsto é de R$ 1.686.926,58. Desse valor, R$ 1.498.226,82 virão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). A Prefeitura participará com R$ 188.699,76 de contrapartida, cumprida por meio da disponibilização de mão de obra técnica ao longo de 24 meses.

O detalhamento é importante porque os valores se referem à fase de estudos, e não ao custo de uma intervenção definitiva na foz. Eventuais obras futuras dependerão de projetos, autorizações e novos recursos.

O que é o assoreamento da Boca da Barra?

O assoreamento ocorre quando areia e outros sedimentos se acumulam no leito de rios, canais ou regiões de encontro com o mar. Na foz do Rio Itanhaém, esse processo pode alterar a profundidade e a configuração dos canais de passagem, dificultando a circulação de embarcações em determinadas condições.

A dinâmica de uma barra costeira é complexa. A posição dos bancos de areia pode mudar sob influência de ondas, marés, correntes marítimas, vazão do rio e transporte de sedimentos. Uma intervenção realizada sem avaliar esses fatores pode ter resultado limitado ou produzir efeitos indesejados em outras áreas.

Por que o problema afeta pescadores e o turismo?

A região da Boca da Barra é relevante para atividades ligadas à navegação e ao uso turístico do rio e da costa. O acúmulo de areia pode restringir rotas e exigir maior atenção de operadores de embarcações, especialmente quando há variações de maré e condições adversas de vento e ondas.

Para a comunidade pesqueira, a previsibilidade das condições de acesso ao mar é um aspecto importante da rotina. No turismo náutico, a segurança de circulação também influencia passeios e serviços. O estudo pretende oferecer dados para orientar decisões públicas, sem antecipar qual solução será escolhida.

Como os pesquisadores vão estudar a foz do rio?

A metodologia anunciada combina levantamentos técnicos modernos e modelagem computacional. Os dados permitirão simular como ondas, marés, correntes e areia interagem na região. A partir dessas análises, será possível comparar alternativas e estimar seus efeitos sobre a foz e o ambiente costeiro.

O trabalho deverá atualizar conhecimentos produzidos pelo Laboratório de Hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que estudou a barra entre 1991 e 2003. A atualização é relevante porque as condições ambientais e a configuração dos sedimentos podem mudar ao longo de décadas.

O estudo de R$ 1,68 milhão vai resolver o assoreamento?

O convênio não garante, por si só, a solução definitiva. Ele financia a investigação e a avaliação de alternativas. Se os resultados permitirem identificar uma medida adequada, a instituição responsável poderá elaborar o projeto correspondente, criando condições para a Prefeitura buscar os recursos necessários à implantação.

Essa sequência evita tratar uma hipótese de intervenção como decisão já tomada. Uma obra de engenharia costeira precisa considerar eficácia, custos, manutenção, licenciamento e possíveis consequências ambientais.

Quem participará do projeto?

A iniciativa é conduzida pela Prefeitura de Itanhaém, por meio da Secretaria de Defesa do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, com financiamento do Fehidro e participação da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém (AEAI). A colaboração de profissionais locais poderá contribuir para o diálogo entre conhecimento técnico e necessidades da população.

A próxima etapa anunciada é a contratação de uma instituição de ensino ou pesquisa para executar os estudos. O anúncio do convênio não significa que essa contratação já tenha sido concluída.

Por que Itanhaém retoma estudos iniciados há mais de 30 anos?

As primeiras investigações citadas pela Prefeitura começaram em 1991, com trabalhos desenvolvidos até 2003. Passadas mais de três décadas desde o início dessas pesquisas, a administração pretende reunir informações compatíveis com a situação atual da foz e com os recursos modernos de simulação.

Os novos levantamentos podem ajudar a diferenciar mudanças naturais da dinâmica costeira de processos que mereçam intervenção. Também poderão indicar se determinadas soluções teriam efeito duradouro ou exigiriam manutenção frequente.

Qual é o próximo passo após a assinatura do convênio?

Com os recursos formalizados, a Prefeitura deverá contratar uma instituição especializada, organizar os levantamentos e desenvolver as simulações. Depois, as alternativas poderão ser avaliadas conforme viabilidade técnica, impactos ambientais e capacidade de atender à navegação.

Para a população de Itanhaém, a principal novidade é que o problema da Boca da Barra passa a contar com financiamento específico para investigação aprofundada. O resultado mais importante ainda está por vir: um diagnóstico que permita decidir, com base em evidências, quais medidas podem melhorar as condições da foz sem transferir riscos para outras partes do litoral.