O navio oceanográfico Professor W. Besnard, uma das embarcações mais importantes da história da pesquisa científica brasileira, começou uma nova etapa de recuperação após anos de abandono no Porto de Santos. Na sexta-feira (23 de outubro), a embarcação foi rebocada para um estaleiro no Guarujá, onde passará por trabalhos de restauração. O plano é devolvê-la ao Parque Valongo, em Santos, como atração turística permanente, preservando a memória das expedições científicas realizadas pelo país.
A transferência ocorre depois de um episódio que chamou atenção em março de 2026, quando o navio ficou parcialmente submerso e adernou no estuário de Santos. O incidente exigiu medidas de estabilização e reacendeu preocupações com a conservação da embarcação e a possibilidade de impactos ambientais.
O que aconteceu com o navio Professor W. Besnard?
Sem operar desde 2008, o navio permaneceu por cerca de 18 anos inativo na região portuária. Ao longo desse período, enfrentou deterioração, entrada de água e furtos de componentes. Em março deste ano, a inclinação lateral da embarcação e a submersão parcial exigiram uma operação para recuperar sua estabilidade.
Os trabalhos incluíram vedação de compartimentos, testes para verificar a estanqueidade do casco e retirada de água com bombas. Depois de recolocado em posição estável, o Besnard pôde ser preparado para a transferência ao estaleiro.
Como foi o transporte do navio de Santos para o Guarujá?
A operação de sexta-feira contou com quatro rebocadores e embarcações de apoio. O deslocamento pelo canal do Porto de Santos foi realizado em baixa velocidade e durou pouco mais de uma hora e meia. Equipes da Guarda Portuária, da Marinha do Brasil e técnicos especializados acompanharam a movimentação.
O procedimento exigiu cuidados porque o navio está fora de operação há muitos anos e passou por intervenções recentes para recuperar a estabilidade. A transferência ao estaleiro é uma etapa necessária antes de seu retorno previsto ao espaço público.
O Professor W. Besnard vai voltar a navegar?
Não é essa a proposta. A restauração anunciada busca recuperar as condições da embarcação para exposição e visitação, não para retomar expedições oceanográficas. Depois dos reparos, a expectativa é que o navio seja rebocado de volta a Santos e integrado às atrações do Parque Valongo.
A Autoridade Portuária de Santos pretende associar a preservação do Besnard ao movimento turístico da região, inclusive ao público que chega à cidade em navios de cruzeiro. Ainda não foi divulgada uma data definitiva para a conclusão da restauração ou abertura ao público.
Por que o navio é importante para a ciência brasileira?
Construído em Bergen, na Noruega, e lançado ao mar em 1966, o Professor W. Besnard chegou a Santos em 9 de agosto de 1967. Com 49,3 metros de comprimento, tornou-se uma embarcação pioneira da pesquisa oceanográfica civil no Brasil e foi o primeiro navio oceanográfico da Universidade de São Paulo.
Ao longo de sua trajetória, realizou cerca de 260 expedições científicas, apoiando a formação de pesquisadores e a coleta de informações sobre o ambiente marinho. Entre os marcos de sua história está a participação nas primeiras atividades brasileiras de pesquisa na Antártida, em 1982.
Por que o navio ficou abandonado?
O Besnard passou por reformas na década de 1990, mas um incêndio em 2008 contribuiu para sua retirada de operação. Em 2020, sofreu outro episódio de adernamento. Na ocasião, uma operação retirou aproximadamente 130 mil litros de água e 18 mil litros de resíduos oleosos acumulados na embarcação.
Depois de deixar as atividades da USP, o navio passou por mudanças de destinação. Houve um projeto de transformá-lo em recife artificial no litoral norte paulista, mas a ideia não foi concretizada. A proposta atual privilegia sua conservação como patrimônio histórico e científico acessível ao público.
Onde ficará o navio histórico em Santos?
O destino anunciado é o Parque Valongo, na região central e portuária de Santos. A intenção é transformar o antigo navio de pesquisa em um ponto de interesse cultural, ligado à história do porto, da universidade e da exploração científica dos oceanos.
A exposição permanente ainda depende da execução dos reparos e da definição das condições de acesso dos visitantes. Não há confirmação de cobrança de ingresso, horários de visitação ou calendário de inauguração.
O que muda para o turismo da Baixada Santista?
A recuperação do Professor W. Besnard pode acrescentar ao roteiro turístico de Santos uma atração com identidade própria: um navio que ajudou a construir o conhecimento brasileiro sobre o mar. O projeto também conecta duas cidades da Baixada Santista, com restauração no Guarujá e exposição planejada para Santos.
O avanço concreto, neste momento, é a retirada da embarcação da área em que permaneceu inativa e seu encaminhamento para restauração. O retorno ao Parque Valongo dependerá das condições técnicas do casco e do andamento dos trabalhos no estaleiro.