A Prefeitura de Santos concluiu o desassoreamento de um trecho do Rio São Jorge, na Zona Noroeste, com a retirada de aproximadamente 8 mil toneladas de sedimentos e resíduos. O serviço terminou dois meses antes do prazo previsto e teve investimento de R$ 2,6 milhões. A intervenção busca melhorar o escoamento das águas e preservar a profundidade necessária à circulação segura de pequenas embarcações.
Os trabalhos começaram em julho de 2026 e foram realizados em uma área de 2.186,48 metros quadrados, nas proximidades do Parque Palafitas, no Dique da Vila Gilda. Durante a retirada do material acumulado, as equipes encontraram não apenas lodo e areia, mas também objetos descartados irregularmente, incluindo brinquedos, restos de móveis e um colchão.
Onde fica o Rio São Jorge, em Santos?
O Rio São Jorge é um dos principais cursos d'água da Zona Noroeste de Santos e recebe águas de áreas dos bairros Bom Retiro, São Jorge, Chico de Paula e Santa Maria. O sistema também está ligado à drenagem dos canais das avenidas Jovino de Melo e Roberto Molina Cintra.
Por sua função no escoamento das águas, o acúmulo de sedimentos e lixo no leito pode reduzir a capacidade hidráulica de trechos do rio. A remoção do material é uma medida de manutenção e recuperação, embora não elimine isoladamente todos os fatores que podem provocar alagamentos.
Por que o desassoreamento do Rio São Jorge foi necessário?
O assoreamento ocorre quando sedimentos se depositam no fundo de rios e canais, diminuindo a profundidade e, em determinados trechos, a capacidade de passagem da água. No Rio São Jorge, o problema foi agravado pela presença de resíduos sólidos e materiais transportados pelas chuvas e pela variação das marés.
A intervenção foi planejada para melhorar a drenagem, preservar as condições de navegação de pequenas embarcações e reduzir impactos sobre estruturas próximas. O resultado depende também da manutenção periódica e do combate ao descarte irregular de lixo.
Como foram retiradas 8 mil toneladas do rio?
As equipes utilizaram uma balsa equipada com escavadeira para retirar o material do fundo. O conteúdo recolhido passava por uma peneira sobre um reservatório, onde jatos de água ajudavam a separar o lodo dos resíduos sólidos maiores.
Objetos e materiais retidos na peneira eram colocados em caçambas e encaminhados para aterro certificado. A lama separada seguia por tubulações até os chamados geobags, grandes bolsas de tecido geotêxtil utilizadas para reter sedimentos e permitir a drenagem da água.
O que são geobags e por que foram utilizados?
Os geobags funcionam como estruturas de filtragem e contenção. A água presente na lama atravessa o tecido e retorna ao curso d'água, enquanto a maior parte dos sedimentos sólidos fica retida. Com a secagem, o volume do material diminui e seu transporte para destinação adequada se torna mais simples.
O procedimento também busca reduzir o retorno dos resíduos ao rio e minimizar odores durante o manejo. A técnica foi importante porque o trecho trabalhado apresentava grande quantidade e variedade de detritos acumulados.
Quanto custou a obra no Rio São Jorge?
O desassoreamento teve investimento de R$ 2,6 milhões e foi executado pela TMK Engenharia S.A., empresa vencedora da licitação municipal. A intervenção integra o Programa Santos Mais, iniciativa voltada a obras de infraestrutura, macrodrenagem, habitação e desenvolvimento urbano sustentável.
O programa conta com financiamento de R$ 574 milhões junto ao CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe. Esse valor corresponde ao conjunto do programa, e não exclusivamente ao serviço realizado no Rio São Jorge.
A obra acaba com os alagamentos na Zona Noroeste?
Não é possível garantir isso. A retirada de sedimentos melhora as condições de escoamento no trecho trabalhado, mas o risco de alagamento depende de fatores como intensidade das chuvas, marés, capacidade de canais e galerias, ocupação do solo e manutenção de toda a rede de drenagem.
O serviço representa uma melhoria concreta na infraestrutura local. Seus efeitos devem ser acompanhados ao longo do tempo, especialmente durante períodos de chuva intensa, para verificar a necessidade de novas ações de limpeza e conservação.
O que a quantidade de lixo revela sobre o rio?
A presença de móveis, brinquedos e outros objetos descartados demonstra que parte do material acumulado não decorre apenas de processos naturais de sedimentação. O descarte irregular contribui para obstruções, aumenta a dificuldade de manutenção e pode agravar problemas ambientais.
Evitar o lançamento de lixo em canais e cursos d'água é essencial para preservar os resultados da intervenção. A conservação do rio depende tanto de obras públicas quanto da destinação correta de resíduos pela população.
Qual é o próximo desafio para a drenagem de Santos?
Com a conclusão antecipada do desassoreamento, o desafio passa a ser manter as condições recuperadas e integrar a intervenção às demais ações de macrodrenagem. A Zona Noroeste possui áreas sensíveis à combinação de chuvas intensas e influência das marés, o que exige planejamento contínuo.
O balanço divulgado em 23 de outubro confirma a retirada de 8 mil toneladas de sedimentos e resíduos do Rio São Jorge, em um trecho próximo ao Dique da Vila Gilda. A obra amplia a capacidade de manutenção do curso d'água e evidencia a importância de impedir que novos descartes irregulares comprometam o resultado alcançado.