A descoberta de uma câmera no banheiro feminino de uma escola cívico-militar em Cambé, no norte do Paraná, levou ao afastamento cautelar de dois policiais militares da reserva e dois gestores da unidade. O caso ocorreu no Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo e é investigado pela Polícia Civil, além de ser alvo de apuração administrativa e de acompanhamento pelo Ministério Público.

Os estudantes relatam que identificaram e retiraram o equipamento na segunda-feira, 19 de outubro de 2026. A situação provocou protestos e pedidos de explicações por parte de alunos e familiares. A escola afirma que o sistema de monitoramento era voltado aos acessos dos banheiros e não registrava o interior das cabines. Essa versão é contestada por estudantes e está entre os pontos a serem esclarecidos na investigação.

O que aconteceu no colégio de Cambé?

Segundo os relatos apresentados por estudantes, uma câmera pequena estava instalada em uma estrutura do banheiro feminino e teria sido descrita anteriormente como um sensor de fumaça. Após a identificação do aparelho, alunos retiraram o equipamento e comunicaram a situação às autoridades.

Imagens associadas ao sistema de monitoramento circularam entre integrantes da comunidade escolar, aumentando a preocupação sobre o que poderia ter sido captado. A existência do dispositivo e a extensão de seu campo de visão são aspectos centrais da apuração. Não há conclusão pública definitiva, nas informações verificadas, sobre quem instalou a câmera ou sobre eventual uso indevido de imagens.

Quem foi afastado após a denúncia?

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) afastou cautelarmente dois gestores da escola na quarta-feira (21). Na quinta-feira (22), também foram afastados dois policiais militares da reserva que trabalhavam na unidade.

Os afastamentos são medidas preventivas adotadas durante a apuração e não equivalem a condenação ou comprovação de responsabilidade. A definição de eventuais irregularidades administrativas e crimes depende da análise dos fatos e das provas.

O que diz a escola sobre a câmera?

Em manifestação encaminhada à comunidade escolar, a direção afirmou que os equipamentos de monitoramento estavam direcionados às portas de entrada dos banheiros feminino e masculino, com finalidade de segurança, e que não captavam as áreas destinadas às necessidades fisiológicas dos alunos.

A escola também relatou que um estudante teria acessado sem autorização a sala de monitores e um computador do sistema, registrando imagem posteriormente compartilhada. A direção classificou a retirada dos equipamentos como ato de vandalismo. Essas afirmações representam a versão da unidade e não encerram a investigação sobre a posição das câmeras e o conteúdo captado.

O que os estudantes denunciam?

Alunos afirmam que o equipamento era desconhecido por parte da comunidade escolar e que havia preocupação com a possibilidade de gravação de áreas internas do banheiro. Há relatos de que a presença do dispositivo teria sido questionada anteriormente, sem esclarecimento satisfatório.

A denúncia gerou mobilização de estudantes e familiares, que cobraram respostas sobre privacidade, proteção de adolescentes e eventual armazenamento de imagens. Como envolve menores de idade, a apuração deve preservar a identidade dos estudantes e evitar a circulação de registros que possam expô-los.

O que a Secretaria da Educação determinou?

A Seed-PR informou ter realizado uma vistoria na escola e instaurado uma comissão interna de apuração. Segundo a pasta, não foram localizadas outras câmeras nos banheiros durante a inspeção, e os equipamentos questionados foram retirados.

O governo estadual também editou a Resolução nº 5.206/2026, que proíbe a instalação e a utilização de câmeras em banheiros e vestiários das escolas estaduais, inclusive equipamentos posicionados fora desses ambientes quando capazes de captar imagens de seu interior.

É permitido instalar câmeras em banheiros de escolas?

O monitoramento não pode violar a intimidade e a dignidade dos estudantes. A proteção da privacidade é assegurada pela Constituição e por normas como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A nova resolução estadual reforça expressamente a proibição de equipamentos que captem imagens de banheiros e vestiários.

Câmeras em áreas comuns de circulação podem ter regras distintas, mas sua instalação deve observar finalidade legítima, transparência, necessidade e proteção dos dados. A alegação de segurança não autoriza monitoramento indiscriminado de espaços de intimidade.

Quem investiga o caso?

A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da instalação e do funcionamento do equipamento. A 4ª Promotoria de Justiça de Cambé também iniciou procedimentos de apuração nas esferas cível e criminal. Paralelamente, a Secretaria da Educação conduz investigação administrativa.

Essas frentes poderão examinar a localização do dispositivo, sua finalidade, a existência de registros, eventuais acessos ao sistema e a responsabilidade de pessoas envolvidas. Até a conclusão das investigações, não é correto atribuir autoria de crime a um profissional específico.

O que acontece agora na escola?

A unidade deverá seguir as orientações da Secretaria da Educação enquanto as apurações avançam. A pasta informou que as câmeras questionadas foram removidas e que, conforme as informações recebidas da escola, não há imagens armazenadas relacionadas a elas. A afirmação sobre armazenamento também pode ser objeto de verificação técnica.

O caso de Cambé evidencia a necessidade de regras claras sobre vigilância em ambientes escolares. A segurança de estudantes e funcionários deve ser compatível com o respeito à privacidade, especialmente em espaços onde crianças e adolescentes têm expectativa reforçada de intimidade.

Os afastamentos anunciados e a abertura das investigações representam providências iniciais. A responsabilização de eventuais envolvidos dependerá da comprovação dos fatos, com garantia de defesa e proteção dos estudantes.