Descoberto o maior aquífero do mundo no Brasil - SAGA.
(Imagem: de Wyatt Harrom na Unsplash)
Um reservatório subterrâneo colossal descoberto sob a Amazônia reposiciona o Brasil no centro da conversa global sobre água doce e acende um alerta urgente sobre desmatamento e uso irresponsável desse patrimônio natural.
Descoberta na Amazônia muda o mapa da água doce mundial
O Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) foi identificado por pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA) e já é tratado como o maior reservatório subterrâneo de água doce do planeta, deixando o tradicional Aquífero Guarani em segundo plano.
Na prática, isso significa que a floresta amazônica esconde, abaixo do solo, uma espécie de “oceano invisível” capaz de redefinir a geopolítica da água e o peso estratégico do Brasil em um mundo cada vez mais pressionado por crises hídricas.
Volume de água é suficiente para séculos de abastecimento humano
Estudos indicam que o SAGA concentra mais de 150 quatrilhões de litros de água, quantidade estimada como suficiente para abastecer toda a população mundial por cerca de 250 anos.
Com área aproximada de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo cerca de 75% em território brasileiro, o reservatório coloca o país em uma posição ainda mais sensível: dono de uma riqueza hídrica gigante em um cenário de avanço da crise climática e disputa por recursos naturais.
“Rios voadores” conectam a Amazônia ao agronegócio do Centro-Oeste
O novo aquífero não atua isolado: ele se integra ao complexo sistema hídrico da Amazônia, responsável por enviar, via evapotranspiração, cerca de oito quatrilhões de litros de água por ano para outras regiões do país na forma dos chamados “rios voadores”.
Esses fluxos atmosféricos ajudam a manter o regime de chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, o que, na prática, sustenta diretamente a produtividade do agronegócio, a geração de energia hidrelétrica e o clima em cidades do interior de estados como Mato Grosso do Sul, incluindo municípios como Dourados e região.
Desmatamento ameaça recarga do aquífero e estabilidade do clima
Pesquisadores alertam que o desmatamento não reduz só a biodiversidade, mas também compromete a recarga natural do SAGA e desequilibra o sistema de chuvas conectado à floresta.
Isso significa que cada hectare de floresta derrubado hoje na Amazônia pressiona, no médio prazo, o abastecimento de água, o clima e a produção agrícola em boa parte do Brasil, tornando essa descoberta um argumento ainda mais forte contra a expansão descontrolada de fronteiras agropecuárias.
Riqueza hídrica gigante, responsabilidade maior ainda
Especialistas defendem que o uso do SAGA seja planejado com rigor desde já, para evitar repetir o cenário de exploração excessiva e contaminação que já atinge o Aquífero Guarani em várias áreas.
O recado é direto: transformar essa reserva em válvula de escape rápida para crises locais de água pode gerar danos irreversíveis, enquanto uma gestão responsável, aliada à preservação da Amazônia, pode garantir segurança hídrica para gerações em todo o país.