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Direitos humanos

Direitos humanos sob ataque global alerta Guterres na abertura do Conselho da ONU em Genebra

23 fev 2026 - 10h00 Joice Gomes   atualizado às 12h10
Direitos humanos sob ataque global alerta Guterres na abertura do Conselho da ONU em Genebra António Guterres alerta que direitos humanos enfrentam ataques sistemáticos em todo o mundo. (Imagem: ONU/Divulgação)

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a 61ª sessão do Conselho de Direitos humanos em Genebra com um alerta urgente. Ele afirmou que os direitos humanos estão sob ataque em escala global, com repressões deliberadas e estratégicas promovidas por potências influentes.

Em seu discurso nesta segunda-feira (23), Guterres destacou que o Estado de Direito está sendo substituído pelo Estado de Força. Conflitos em regiões como Sudão, Gaza e Ucrânia exemplificam o sofrimento devastador de civis, com abusos generalizados ao direito internacional.

Ataques deliberados aos direitos humanos

Guterres enfatizou que os direitos humanos sofrem ataques não apenas camuflados, mas públicos e até orgulhosos. Líderes poderosos lideram essa repressão, ignorando convenções internacionais em nome de interesses nacionais.

O chefe da ONU citou violações em múltiplos fronts, incluindo perseguição a migrantes e refugiados. Esses grupos enfrentam detenções arbitrárias e expulsões sem respeito à dignidade humana, agravando crises globais de deslocamento.

Essa tendência reflete uma competição intensa por poder e recursos, a mais acirrada desde a Segunda Guerra Mundial, segundo Volker Türk, alto comissário para Direitos humanos.

  • Repressão estratégica afeta liberdades fundamentais em diversos países.
  • Conflitos armados geram violações sistemáticas contra populações civis.
  • Migrantes e refugiados são alvos prioritários de políticas discriminatórias.

Cortes de financiamento paralisam a ONU

O Escritório do Alto Comissário para Direitos humanos opera em modo de sobrevivência devido a déficits graves. Os Estados Unidos, principal doador, repassaram apenas US$ 160 milhões dos mais de US$ 4 bilhões devidos.

Essa escassez impediu o início de investigações cruciais lançadas em 2025, como sobre possíveis crimes de guerra na República Democrática do Congo e abusos no Afeganistão. Volker Türk lançou um apelo por US$ 400 milhões para 2026, alertando para o custo imensurável do subfinanciamento.

As necessidades humanitárias explodem enquanto os recursos colapsam. Guterres cobrou maior compromisso dos Estados-membros para sustentar o sistema multilateral de proteção aos direitos humanos.

  • Dívida dos EUA compromete operações essenciais da ONU.
  • Investigações sobre Congo e Afeganistão foram adiadas indefinidamente.
  • Apelo de US$ 400 milhões visa sessões de diálogo e visitas de monitoramento.

Conflitos destacam violações flagrantes

No Sudão, Ucrânia e Gaza, civis pagam o preço mais alto com fome, bombardeios e deslocamentos forçados. Guterres e Türk pediram fim imediato aos abusos nesses teatros de guerra.

Nos territórios palestinos ocupados, violações ao direito internacional ameaçam a viabilidade de um Estado palestino. Medidas recentes de Israel na Cisjordânia, vistas como anexação de fato pelos palestinos, destroem a solução de dois Estados em plena luz do dia.

Guterres insistiu que a comunidade internacional não pode permitir essa erosão. Mianmar também foi mencionado, com abusos persistentes contra minorias étnicas.

  • Sudão enfrenta crise humanitária com milhões de deslocados.
  • Gaza registra alto número de vítimas civis em meio a bloqueios.
  • Ucrânia sofre com violações em territórios ocupados.

Implicações globais e caminhos adiante

A crise nos direitos humanos importa porque enfraquece a ordem internacional pós-Segunda Guerra. Sem proteção efetiva, instabilidade se alastra, afetando comércio, migrações e segurança coletiva.

Para o Brasil e nações em desenvolvimento, isso significa maior pressão sobre sistemas locais de direitos, com influxo de refugiados e demandas por solidariedade. Guterres convocou ações concretas, como reformas no financiamento da ONU e pressão diplomática unificada.

No futuro, sem reversão, investigações param, tratados perdem força e conflitos se multiplicam. A 61ª sessão do Conselho pode catalisar resoluções vinculantes, mas depende de vontade política para superar o Estado de Força.

Especialistas preveem que, com eleições globais em 2026 e tensões geopolíticas, o tema ganhará urgência. Países como o Brasil, com histórico de defesa multilateral, podem liderar apelos por accountability.

  • Risco de colapso no sistema de tratados da ONU.
  • Aumento de 135 milhões de necessitados de ajuda humanitária.
  • Necessidade de doações para US$ 33 bilhões em assistência global.

O alerta de Guterres reforça a necessidade de vigilância coletiva. Proteger os direitos humanos não é luxo, mas base para paz duradoura em um mundo interconectado.

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