António Guterres alerta que direitos humanos enfrentam ataques sistemáticos em todo o mundo.
(Imagem: ONU/Divulgação)
O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a 61ª sessão do Conselho de Direitos humanos em Genebra com um alerta urgente. Ele afirmou que os direitos humanos estão sob ataque em escala global, com repressões deliberadas e estratégicas promovidas por potências influentes.
Em seu discurso nesta segunda-feira (23), Guterres destacou que o Estado de Direito está sendo substituído pelo Estado de Força. Conflitos em regiões como Sudão, Gaza e Ucrânia exemplificam o sofrimento devastador de civis, com abusos generalizados ao direito internacional.
Ataques deliberados aos direitos humanos
Guterres enfatizou que os direitos humanos sofrem ataques não apenas camuflados, mas públicos e até orgulhosos. Líderes poderosos lideram essa repressão, ignorando convenções internacionais em nome de interesses nacionais.
O chefe da ONU citou violações em múltiplos fronts, incluindo perseguição a migrantes e refugiados. Esses grupos enfrentam detenções arbitrárias e expulsões sem respeito à dignidade humana, agravando crises globais de deslocamento.
Essa tendência reflete uma competição intensa por poder e recursos, a mais acirrada desde a Segunda Guerra Mundial, segundo Volker Türk, alto comissário para Direitos humanos.
- Repressão estratégica afeta liberdades fundamentais em diversos países.
- Conflitos armados geram violações sistemáticas contra populações civis.
- Migrantes e refugiados são alvos prioritários de políticas discriminatórias.
Cortes de financiamento paralisam a ONU
O Escritório do Alto Comissário para Direitos humanos opera em modo de sobrevivência devido a déficits graves. Os Estados Unidos, principal doador, repassaram apenas US$ 160 milhões dos mais de US$ 4 bilhões devidos.
Essa escassez impediu o início de investigações cruciais lançadas em 2025, como sobre possíveis crimes de guerra na República Democrática do Congo e abusos no Afeganistão. Volker Türk lançou um apelo por US$ 400 milhões para 2026, alertando para o custo imensurável do subfinanciamento.
As necessidades humanitárias explodem enquanto os recursos colapsam. Guterres cobrou maior compromisso dos Estados-membros para sustentar o sistema multilateral de proteção aos direitos humanos.
- Dívida dos EUA compromete operações essenciais da ONU.
- Investigações sobre Congo e Afeganistão foram adiadas indefinidamente.
- Apelo de US$ 400 milhões visa sessões de diálogo e visitas de monitoramento.
Conflitos destacam violações flagrantes
No Sudão, Ucrânia e Gaza, civis pagam o preço mais alto com fome, bombardeios e deslocamentos forçados. Guterres e Türk pediram fim imediato aos abusos nesses teatros de guerra.
Nos territórios palestinos ocupados, violações ao direito internacional ameaçam a viabilidade de um Estado palestino. Medidas recentes de Israel na Cisjordânia, vistas como anexação de fato pelos palestinos, destroem a solução de dois Estados em plena luz do dia.
Guterres insistiu que a comunidade internacional não pode permitir essa erosão. Mianmar também foi mencionado, com abusos persistentes contra minorias étnicas.
- Sudão enfrenta crise humanitária com milhões de deslocados.
- Gaza registra alto número de vítimas civis em meio a bloqueios.
- Ucrânia sofre com violações em territórios ocupados.
Implicações globais e caminhos adiante
A crise nos direitos humanos importa porque enfraquece a ordem internacional pós-Segunda Guerra. Sem proteção efetiva, instabilidade se alastra, afetando comércio, migrações e segurança coletiva.
Para o Brasil e nações em desenvolvimento, isso significa maior pressão sobre sistemas locais de direitos, com influxo de refugiados e demandas por solidariedade. Guterres convocou ações concretas, como reformas no financiamento da ONU e pressão diplomática unificada.
No futuro, sem reversão, investigações param, tratados perdem força e conflitos se multiplicam. A 61ª sessão do Conselho pode catalisar resoluções vinculantes, mas depende de vontade política para superar o Estado de Força.
Especialistas preveem que, com eleições globais em 2026 e tensões geopolíticas, o tema ganhará urgência. Países como o Brasil, com histórico de defesa multilateral, podem liderar apelos por accountability.
- Risco de colapso no sistema de tratados da ONU.
- Aumento de 135 milhões de necessitados de ajuda humanitária.
- Necessidade de doações para US$ 33 bilhões em assistência global.
O alerta de Guterres reforça a necessidade de vigilância coletiva. Proteger os direitos humanos não é luxo, mas base para paz duradoura em um mundo interconectado.