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Dólar fecha a R$ 5,16 após ofensiva de Israel e EUA ao Irã e tensão no Estreito de Ormuz

02 mar 2026 - 19h20 Joice Gomes   atualizado em 03/03/2026 às 09h00
Dólar fecha a R$ 5,16 após ofensiva de Israel e EUA ao Irã e tensão no Estreito de Ormuz Escalada no Oriente Médio leva o dólar a R$ 5,16, impulsiona Petrobras e eleva preço do petróleo, em dia de forte aversão ao risco nos mercados. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar comercial fechou a R$ 5,16 nesta segunda-feira, 2, em um dia marcado pela forte reação dos mercados à escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã.

A moeda norte-americana chegou a superar R$ 5,20 pela manhã, em meio à busca global por ativos considerados mais seguros, e só perdeu parte da força com uma recuperação moderada das bolsas dos Estados Unidos ao longo da tarde.

Ao mesmo tempo, a Bolsa brasileira encerrou em leve alta, sustentada principalmente por ações ligadas ao setor de petróleo, que se beneficiaram da disparada das cotações internacionais do barril.

O que motivou a alta do dólar

O movimento do dólar foi diretamente impactado pelos ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos no Irã, intensificando o clima de incerteza geopolítica.

Em dias de tensão internacional, investidores costumam reduzir exposição a ativos de países emergentes e aumentar posições em moedas fortes, como o dólar, o que pressiona a taxa de câmbio local.

Neste pregão, a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,166, alta de 0,62%, após ter tocado aproximadamente R$ 5,21 por volta das 11h.

Impactos na bolsa e nas ações da Petrobras

Apesar do ambiente de cautela, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou o dia em alta de 0,28%, aos 189.307 pontos, apoiado no desempenho de grandes empresas do setor de energia.

As ações da Petrobras subiram com força, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional, e voltaram a registrar preços que não eram vistos há meses.

Os papéis ordinários da estatal avançaram 4,63%, encerrando a R$ 44,71, enquanto as ações preferenciais tiveram alta de 4,58%, fechando a R$ 41,13, no maior patamar desde maio de 2024.

Petróleo dispara com tensão no Estreito de Ormuz

A escalada da crise também se refletiu diretamente nas cotações do petróleo, que chegaram a subir quase 10% no início do dia, em um movimento típico de precificação de risco de oferta.

Ao fim da sessão, o barril do tipo Brent, referência global, avançou 6,68% e fechou em US$ 77,74, o maior nível desde janeiro de 2025.

Após o fechamento dos mercados, a tensão aumentou ainda mais com o anúncio da Guarda Revolucionária do Irã sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo.

Por que isso importa para o Brasil

A valorização do dólar tende a pressionar preços internos, especialmente em segmentos dependentes de insumos importados ou cotados em moeda estrangeira, como combustíveis, medicamentos e componentes industriais.

Com o petróleo em alta e o risco de interrupções logísticas na região do Golfo Pérsico, o custo dos combustíveis pode subir, o que tem efeito em cadeia sobre fretes, alimentos e outros produtos sensíveis ao preço do transporte.

Por outro lado, empresas exportadoras brasileiras, em especial do agronegócio e da própria cadeia de óleo e gás, tendem a se beneficiar do dólar mais caro e da elevação das cotações internacionais de commodities.

Perspectivas para os próximos dias

Agentes do mercado financeiro projetam um ambiente de elevada volatilidade enquanto não houver clareza sobre a extensão da resposta do Irã, a reação de outros países e o tempo de duração das restrições no Estreito de Ormuz.

O comportamento do dólar nos próximos pregões deve seguir atrelado às notícias geopolíticas, somado à leitura dos investidores sobre inflação global e possíveis desdobramentos na política monetária das principais economias.

Internamente, o impacto da alta do dólar e do petróleo poderá influenciar decisões futuras sobre juros, projeções de inflação e planejamento orçamentário de empresas e governos, caso o cenário de tensão se prolongue.

  • O dólar comercial fechou a R$ 5,166, alta de 0,62% no dia.
  • Ibovespa subiu 0,28%, aos 189.307 pontos, puxado por ações de petróleo.
  • Petrobras teve ganhos acima de 4% em suas principais ações.
  • Brent avançou 6,68% e encerrou a US$ 77,74, maior nível desde janeiro de 2025.
  • Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após o término do pregão.
  • Cenário aumenta a percepção de risco e mantém o dólar no centro das atenções dos investidores.
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