Sede da Petrobras no Rio de Janeiro, onde ocorre a assembleia decisiva sobre o futuro da estatal.
(Imagem: gerado por IA)
A Petrobras realiza nesta tarde a sua Assembleia Geral Ordinária (AGO) para selar o novo desenho de seu comando estratégico. O encontro, que ocorre na sede da estatal no Rio de Janeiro, deve confirmar Guilherme Mello, atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento, como o novo presidente do Conselho de Administração. A reunião também formaliza a permanência de Magda Chambriard na presidência da companhia, cargo que ocupa desde o ano passado.
O movimento marca uma transição importante na governança da maior empresa do país. Mello, que já preside o conselho do BNDES, assume a vaga deixada por Bruno Moretti, consolidando o alinhamento entre a gestão da petroleira e a equipe econômica do governo federal. Como a União detém a maioria dos votos, a aprovação do nome de Mello é dada como certa pelos observadores do mercado.
Disputa acirrada pelas cadeiras do conselho
Apesar da força do governo, a composição do colegiado enfrenta uma das eleições mais disputadas dos últimos tempos. Ao todo, 16 candidatos concorrem a apenas 10 vagas disponíveis no Conselho de Administração. A 11ª cadeira já é ocupada por Rosangela Buzanelli Torres, representante eleita pelos empregados.
Entre as indicações da União, quatro nomes são novos, incluindo Benjamin Alves Rabello Filho e Ricardo Baldin. Já os acionistas minoritários tentam manter sua influência, com nomes conhecidos como Juca Abdalla e Francisco Petros na disputa pela recondução. O resultado dessa votação definirá quem terá o poder de aprovar as grandes decisões estratégicas da estatal até 2028.
Bilhões em jogo: investimentos e dividendos
Além das cadeiras de comando, a pauta financeira domina as atenções dos investidores. A assembleia deve aprovar a destinação de R$ 41,2 bilhões em dividendos, um ponto de alta sensibilidade para o mercado financeiro. Ao mesmo tempo, o plano de investimentos para o próximo ciclo prevê um aporte de R$ 114 bilhões, reforçando o foco em crescimento e exploração.
Os acionistas também analisam a proposta de retenção de lucros, que soma R$ 68,9 bilhões em reservas. Essa reserva é fundamental para garantir que a estatal tenha fôlego financeiro para seus projetos de transição energética e expansão da produção no pré-sal, sem comprometer a saúde do caixa diante das oscilações do preço do petróleo no cenário internacional.