Presidente Lula recebe representantes das centrais sindicais no Palácio do Planalto para discutir direitos trabalhistas.
(Imagem: gerado por IA)
O governo federal deu o primeiro passo oficial para tentar extinguir a escala 6x1 no Brasil, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que a canetada no Palácio do Planalto não será suficiente. Ao receber representantes de centrais sindicais nesta quarta-feira (15), em Brasília, o mandatário convocou a classe trabalhadora a ocupar as ruas e pressionar o Congresso Nacional para garantir a aprovação do projeto que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais.
O encontro aconteceu logo após a entrega de uma pauta com 68 reivindicações das centrais, que realizaram a “Marcha da Classe Trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios. Para Lula, o momento exige que os sindicatos não abandonem a responsabilidade de lutar. “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. Cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, afirmou o presidente, enfatizando que a mobilização externa é o que move a balança política em Brasília.
O impacto na saúde e a herança do movimento VAT
Um dos pontos centrais da reunião foi o reconhecimento do impacto da jornada exaustiva na saúde mental dos brasileiros. Lula homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que foi o motor inicial para que o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhasse tração nacional. O presidente sugeriu que, caso a lei seja aprovada, ela leve o nome do ativista como símbolo da luta contra o esgotamento profissional.
Os representantes sindicais defendem que a medida vai além do bem-estar individual. Segundo Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a redução da jornada tem potencial para gerar até 4 milhões de novos empregos no país. O argumento é que a redistribuição das horas de trabalho forçaria novas contratações, combatendo também processos de precarização como a “pejotização” excessiva.
Resistência política e o cenário internacional
Durante o discurso, Lula não poupou críticas às reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), classificando-as como retrocessos que agora dificultam a retomada de direitos. Ele alertou para o risco de o Brasil olhar para modelos vizinhos, como o da Argentina, onde propostas de oposição sugerem jornadas de até 12 horas diárias.
Para as lideranças sindicais, a mudança é uma questão de sobrevivência e adaptação ao futuro. Miguel Torres, da Força Sindical, pontuou que o projeto está maduro para entrar em vigor, permitindo que o trabalhador tenha tempo para a família, estudo e lazer. Já o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, destacou que as transformações tecnológicas e a Inteligência Artificial exigem uma nova visão sobre o tempo de trabalho, especialmente para jovens e mulheres, os grupos mais vulneráveis às mudanças do mercado.
Proteção aos novos modelos de trabalho
O encerramento do encontro também trouxe à tona a urgência de regulamentar o trabalho por aplicativos. Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), reforçou que entregadores e motoristas precisam de garantias mínimas de saúde e segurança. A pauta entregue ao governo mira os próximos cinco anos, buscando equilibrar a inovação tecnológica com a proteção social e o combate a crimes como o feminicídio, que foi inserido como pauta prioritária pela Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).