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Economia

Preços do petróleo disparam rumo a recorde histórico com escalada da guerra no Oriente Médio

09 mar 2026 - 09h56 Joice Gomes   atualizado às 09h59
Preços do petróleo disparam rumo a recorde histórico com escalada da guerra no Oriente Médio Os preços do petróleo Brent e WTI sobem mais de 15% em um dia devido à guerra no Oriente Médio, com riscos de interrupções no Estreito de Ormuz e cortes de produtores como Iraque e Kuwait. (Imagem: gerado por IA)

Os mercados globais de energia enfrentam uma das maiores crises dos últimos anos. Os contratos futuros do petróleo Brent avançam 16,7%, cotados a US$ 108,20 por barril, rumo ao maior salto diário da história. Já o West Texas Intermediate (WTI) registra alta de 15,7%, a US$ 105,13, após picos acima de US$ 119.

Essa disparada ocorre em meio à escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito bloqueia rotas marítimas cruciais e força cortes na produção de países do Golfo Pérsico. Os preços já superam em mais de 15% os níveis de meados de 2022, pressionando economias dependentes de importações.

Conflito intensifica bloqueios no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, tornou-se epicentro das tensões. Navios-tanque enfrentam riscos de segurança, com interrupções no transporte marítimo que afetam especialmente compradores asiáticos. Ataques recentes, incluindo drones interceptados na Arábia Saudita e incêndios em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, agravam a situação.

O Irã, sob nova liderança de Mojtaba Khamenei, filho do falecido Ali Khamenei, mantém postura linha-dura. A nomeação sinaliza continuidade na estratégia de confronto, com ameaças de fechamento prolongado do estreito. Analistas preveem que o preço do petróleo pode atingir US$ 130 por barril se os fluxos não forem retomados.

  • Brent atingiu máxima de US$ 119,50 por barril nesta segunda-feira
  • WTI alcançou US$ 119,48, com alta semanal anterior de 35,6%
  • Preços 15% acima dos níveis de 2022, antes mesmo do salto atual

Produtores cortam oferta em resposta à guerra

Iraque e Kuwait iniciaram reduções na produção de petróleo, juntando-se a cortes anteriores de gás natural liquefeito pelo Catar. A Bapco, do Bahrein, declarou força maior após ataque a seu complexo de refinarias. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita podem seguir o exemplo, pois estoques de armazenamento se esgotam.

A Saudi Aramco oferece suprimentos imediatos via licitações, mas a demanda excede a capacidade. Esses cortes respondem diretamente aos bloqueios causados pela guerra, que já impactam remessas do Oriente Médio. O resultado é uma oferta global apertada, impulsionando os preços para níveis recordes.

  • Interrupções em refinarias do Bahrein por ataques diretos
  • Incêndio na zona petrolífera de Fujairah por detritos de combates
  • Drone interceptado no campo de Shaybah, na Arábia Saudita

G7 e AIE planejam liberação de reservas emergenciais

Ministros das Finanças do G7 e a Agência Internacional de Energia (AIE) reúnem-se nesta segunda-feira para discutir a liberação conjunta de reservas estratégicas de petróleo. A medida visa amortecer o choque nos preços e evitar uma espiral inflacionária global. A presidência francesa coordena o encontro às 13h30.

Essa resposta coordenada pode aliviar pressões de curto prazo, mas analistas alertam para persistência da alta se as tensões não diminuírem. Vasu Menon, da OCBC em Singapura, destaca que sem retomada dos fluxos pelo Ormuz, a pressão altista continua. Satoru Yoshida, da Rakuten Securities, prevê preço do petróleo em US$ 120 a US$ 130 em breve.

O presidente Donald Trump intensificou retórica, ameaçando novos ataques até a rendição iraniana. Isso eleva incertezas, com evacuações diplomáticas na Arábia Saudita e bolsas mundiais em queda expressiva.

Impactos econômicos globais e no Brasil

A alta do preço do petróleo ameaça a economia mundial com inflação acelerada e risco de recessão. Países importadores enfrentam custos maiores em combustíveis, transporte e bens industriais. No Brasil, exportadores de petróleo como a Petrobras podem ver receitas maiores, mas o IPCA sobe com efeito cascata nos preços internos.

Modelos da XP Investimentos indicam que um aumento de 10% no Brent adiciona 25 pontos-base à inflação. Ásia, dependente do Oriente Médio, adota medidas para restringir gastos com energia. Bolsas caem, dólar sobe e ouro recua em meio ao pânico nos mercados.

  • Alta de 10% no Brent eleva IPCA em até 25 pontos-base no Brasil
  • Países asiáticos restringem gastos com petróleo importado
  • Bolsas globais desabam com receio de choque energético

O que pode acontecer a seguir depende da duração do conflito. Uma resolução rápida pelo G7 poderia estabilizar preços, mas prolongamento leva a cortes mais profundos na produção e preços do petróleo estratosféricos. Mercados monitoram a reunião do G7 e ações iranianas no Ormuz de perto.

Essa crise reforça a vulnerabilidade global à geopolítica energética. Transição para renováveis ganha urgência, mas soluções de curto prazo recaem sobre reservas e diplomacia. O mundo assiste atento aos desdobramentos no Oriente Médio.

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