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Petróleo

Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global

16 mar 2026 - 08h43 Joice Gomes   atualizado às 08h46
Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global Alta do Brent acima de US$ 105 em março de 2026 aumenta a pressão sobre combustíveis, inflação, transporte e custos da economia global. (Imagem: gerado por IA)

O preço do petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 105 por barril em março de 2026, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao temor de interrupções mais duradouras na oferta global de energia. O movimento recoloca os combustíveis no centro das preocupações de governos, empresas e consumidores, porque o Brent é a principal referência internacional usada para balizar custos de gasolina e diesel em várias partes do mundo.

Na abertura dos negócios desta segunda-feira, o barril chegou a operar acima de US$ 106 antes de moderar parte dos ganhos, mas manteve-se em um patamar elevado para os padrões recentes. Dados de mercado indicam que a commodity acumulou valorização expressiva nas últimas semanas, depois que o conflito regional passou a afetar uma das áreas mais estratégicas para o escoamento de petróleo no mundo.

O que está por trás da disparada

A principal explicação para a alta está no risco envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor marítimo vital para o comércio global de petróleo. Informações de mercado apontam que aproximadamente um quinto do petróleo transportado por via marítima passa pela região, o que transforma qualquer bloqueio, ataque ou restrição de navegação em fator imediato de pressão sobre preços internacionais.

O cenário ganhou força depois de novos episódios ligados à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevaram a percepção de risco entre investidores e agentes do setor. Em um dos momentos mais agudos da recente escalada, os contratos futuros do Brent chegaram a saltar 16,7% em um único dia, negociados a US$ 108,20 por barril, enquanto o WTI, referência dos Estados Unidos, avançou para US$ 105,13.

Também pesou no mercado a perda de produção e de fluxo logístico. Estimativas citadas por agentes do setor mostram que mais de 12 milhões de barris equivalentes por dia deixaram de ser produzidos em pouco mais de uma semana após o fechamento do estreito, reforçando a sensação de que a oferta global pode seguir apertada por mais tempo.

Como a alta chega aos combustíveis

Quando o barril sobe de forma rápida, o efeito tende a se espalhar por toda a cadeia de energia. Refinarias passam a lidar com matéria-prima mais cara, distribuidoras reavaliam custos e postos sentem a pressão na formação dos preços finais, ainda que a velocidade e a intensidade do repasse variem conforme política comercial, câmbio, impostos e concorrência local.

Em mercados europeus, o impacto já apareceu de forma direta nas bombas. Em Portugal, por exemplo, a gasolina teve aumento de 7 centavos por litro e o diesel subiu 8 centavos por litro, mesmo com desconto tributário adotado pelo governo local, o que dá uma dimensão prática de como a disparada do petróleo pode atingir o consumidor em poucos dias.

No caso brasileiro, a pressão não depende apenas da cotação internacional, mas ela pesa de forma importante na composição de custos. O próprio Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção do preço médio do petróleo em 2026, elevando a estimativa de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, sinal de que a turbulência internacional já entrou no radar oficial das contas de inflação e atividade.

Impactos além da bomba

A alta do Brent não afeta apenas motoristas. O encarecimento do petróleo costuma atingir transporte de cargas, passagens, fertilizantes, produtos industrializados e alimentos, porque o combustível entra tanto no deslocamento quanto em etapas de produção e distribuição.

Esse efeito em cadeia ajuda a explicar por que o avanço do barril preocupa bancos centrais e equipes econômicas. Com energia mais cara, cresce o risco de inflação persistente, o que pode dificultar decisões sobre juros e comprometer o ritmo de crescimento em vários países.

A Agência Internacional de Energia tentou aliviar parte da tensão ao decidir liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas, a maior operação desse tipo em sua história. Os Estados Unidos devem responder por 172 milhões de barris desse total, com parte do volume chegando ao mercado ainda nesta semana, numa tentativa de aumentar a oferta e frear a volatilidade.

Mercado segue sob tensão

Apesar da liberação extraordinária de reservas, os preços continuam sensíveis a qualquer nova informação sobre o conflito e sobre a navegação no Golfo. Relatos recentes mostram que o Brent permaneceu próximo de US$ 105, após já ter avançado mais de 40% desde o início da guerra, uma variação forte o bastante para alterar projeções econômicas e estratégias de importadores e exportadores.

O comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá principalmente de três fatores: a duração do conflito, a segurança no Estreito de Ormuz e a capacidade de grandes produtores e estoques estratégicos compensarem eventuais perdas. Enquanto essas respostas não aparecem de forma clara, o petróleo deve continuar operando em um ambiente de forte instabilidade e com reflexos diretos sobre os combustíveis.

  • O Brent operou acima de US$ 105 por barril em março de 2026 e chegou a abrir acima de US$ 106 em uma das sessões recentes.
  • O Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo.
  • A Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas.
  • A projeção oficial do preço médio do petróleo em 2026 foi elevada de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril.
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