Projeto do túnel imerso entre Santos e Guarujá promete revolucionar travessia no litoral de SP.
(Imagem: gerado por IA)
A espera de quase um século por uma ligação seca entre Santos e Guarujá acaba de ganhar o impulso financeiro que faltava para sair definitivamente do campo das promessas. Nesta segunda-feira (13), o Governo de São Paulo oficializou a assinatura do contrato de financiamento de R$ 2,57 bilhões, valor destinado à contrapartida do Estado na maior Parceria Público-Privada (PPP) de infraestrutura do litoral paulista.
A operação, estruturada pelo Banco do Brasil com aval da União, garante os recursos necessários para que a concessionária Mota-Engil dê início aos trabalhos. Com um prazo de 23 anos para a quitação do empréstimo, o acordo sinaliza uma estabilidade financeira rara para projetos desta magnitude, que já consumiram décadas de debates técnicos e políticos.
O impacto direto na mobilidade e no Porto de Santos
Mais do que uma conveniência para quem cruza o canal diariamente, o túnel imerso, o primeiro deste tipo no Brasil, deve revolucionar o fluxo de cargas e passageiros. Atualmente, a travessia de 400 metros depende inteiramente de balsas, sistema sujeito a interrupções por condições climáticas e congestionamentos crônicos.
O investimento total é estimado em R$ 6,8 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 5 bilhões virão de esforços conjuntos entre os governos estadual e federal, enquanto a Mota-Engil, vencedora do leilão em setembro, assume o restante dos custos e a operação futura do ativo. A tecnologia imersa permite que módulos sejam construídos em terra e depois instalados no fundo do estuário, garantindo que o tráfego de grandes navios no maior porto da América Latina não seja interrompido durante as obras.
Impasses com o TCU e a governança do projeto
Apesar do otimismo no Palácio dos Bandeirantes, o caminho ainda reserva desafios burocráticos. O Tribunal de Contas da União (TCU) mantém suspensa a parcela federal do investimento, argumentando que a Autoridade Portuária de Santos (APS) precisa ter uma participação mais ativa na governança do contrato assinado com o grupo português.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, presente na cerimônia, minimizou a retenção. Segundo ele, os ajustes exigidos pelo tribunal são naturais em processos desse porte e devem ser resolvidos com celeridade. O governo federal vê o túnel como a peça principal do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), essencial para a competitividade logística brasileira.
Fim de uma espera de 97 anos
A discussão sobre o túnel remonta a 1927. Ao longo de quase cem anos, diversas propostas de pontes e túneis foram engavetadas. A consolidação deste contrato marca, portanto, uma virada histórica para a Baixada Santista e para a mobilidade urbana nacional.
Com o financiamento estadual blindado e o grupo Mota-Engil no comando da execução, a região agora monitora o cronograma de obras. A promessa é de que, em poucos anos, o cenário de filas intermináveis nas balsas seja substituído por uma travessia ágil, segura e moderna, integrando definitivamente as duas principais cidades do litoral.