Contribuintes têm até as 23h59 de hoje para enviar a declaração e evitar multas do Leão.
(Imagem: gerado por IA)
O relógio corre contra o contribuinte. Às 23h59 desta sexta-feira, encerra-se oficialmente o prazo para o envio da declaração do Imposto de Renda 2026. Para quem ainda não acertou as contas com o Leão, o momento exige agilidade, mas também uma dose estratégica de calma para evitar prejuízos financeiros e complicações burocráticas no CPF.
Até as últimas horas, a Receita Federal registrou a entrega de pouco mais de 38,5 milhões de declarações, o que representa cerca de 80% do volume total esperado. Isso significa que milhões de brasileiros ainda precisam lidar com o software da Receita nas próximas horas. O grande medo, claro, é a multa por atraso, que começa em R$ 165,74 e pode chegar a pesados 20% do imposto devido.
A estratégia da entrega incompleta
Se você percebeu que não terá tempo de reunir todos os comprovantes médicos ou informes de rendimento até o fim da noite, existe uma "válvula de escape" recomendada por especialistas. Segundo o advogado tributarista Ivo Lima, é preferível enviar o documento com as informações que você tem em mãos agora do que deixar o prazo vencer.
"A recomendação é entregar com o que tem e corrigir logo depois. O sistema da Receita fica aberto 24 horas por dia, sete dias por semana. Você pode transmitir uma retificação no sábado ou no domingo sem pagar multa", explica Lima. No entanto, ele faz um alerta importante: a correção deve ser feita o quanto antes, pois enviar dados propositalmente errados para ganhar tempo aumenta consideravelmente o risco de cair na malha fina.
O peso da irregularidade no CPF
Não declarar dentro do prazo vai além do prejuízo imediato no bolso. A falta da entrega coloca o CPF em situação "pendente de regularização". Na prática, isso impede o cidadão de contratar empréstimos, renovar passaportes, participar de concursos públicos e até mesmo abrir contas bancárias. Para sair dessa situação, o contribuinte é obrigado a prestar contas de anos anteriores e pagar as multas acumuladas.
Onde os contribuintes mais erram
Na pressa do último dia, a chance de trocar campos ou esquecer valores é alta. Flávio Cesário, membro da Academia Pernambucana de Ciências Contábeis, destaca que o erro mais comum é a classificação incorreta de rendimentos. "É preciso obedecer rigorosamente ao que está no informe de rendimentos fornecido pela empresa ou pelo banco. Saber se o valor é tributado ou isento faz toda a diferença para o sistema do Fisco", pontua.
Outro ponto de atenção são as despesas dedutíveis. Gastos com saúde, como consultas particulares e planos de saúde, precisam de notas fiscais ou recibos detalhados. O contador Paulo de Tarso reforça que, embora saldos de conta poupança raramente levem alguém à malha fina, a omissão de rendimentos tributáveis de dependentes é um gatilho quase certo para o bloqueio da declaração.
Restituição: o primeiro lote já está na conta
Enquanto muitos correm para declarar, outros começam o dia com boas notícias. A Receita Federal liberou hoje o pagamento do primeiro lote de restituição, o maior da história, injetando R$ 16 bilhões na economia. Este lote contempla prioritariamente idosos, pessoas com deficiência, professores e aqueles que utilizaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber via Pix.
Se você não está neste primeiro grupo, as próximas datas já estão definidas: o segundo lote será pago em 30 de junho, seguido por lotes em julho e agosto. Vale lembrar que a ordem de entrega da declaração, respeitadas as prioridades legais, influencia diretamente na velocidade com que o contribuinte recebe o dinheiro de volta.
Quem é obrigado a declarar em 2026?
As regras deste ano exigem a entrega para quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025. Também estão na lista produtores rurais com receita bruta superior a R$ 177.920 e qualquer pessoa que possua bens ou direitos (como imóveis ou veículos) com valor total superior a R$ 800 mil. Quem ganha até dois salários mínimos permanece isento, a menos que se enquadre em outros critérios, como operações em bolsas de valores.
O encerramento do prazo hoje não marca apenas o fim de uma obrigação, mas o início de uma nova fase de fiscalização da Receita, que cada vez mais utiliza cruzamento de dados em tempo real para identificar inconsistências.