Gabriel Medina dominou as séries em Bells Beach e avançou para as quartas de final após vencer Italo Ferreira.
(Imagem: gerado por IA)
O mar de Bells Beach foi palco de um dos encontros mais aguardados da temporada da WSL: Gabriel Medina e Italo Ferreira, frente a frente, em um duelo que parou a costa australiana. Na prática, a vitória de Medina por 15.60 a 14.66 não apenas o garantiu nas quartas de final, mas reafirmou sua capacidade de entrega sob pressão em ondas que exigem leitura técnica e agressividade.
A bateria começou em ritmo frenético, com ambos os campeões mundiais explorando aéreos e manobras de borda. O ponto de ruptura veio quando Medina conectou uma série de batidas verticais, jogando uma quantidade impressionante de água para o alto, o que lhe rendeu um 8.33 dos juízes. Italo, apesar de responder com aéreos plásticos e somar notas sólidas (7.83 e 6.83), acabou castigado por uma calmaria repentina nas séries durante os 20 minutos finais.
Essa vitória coloca Medina em uma rota de colisão direta com outro compatriota, garantindo que o Brasil continue como protagonista absoluto na perna australiana do circuito mundial.
O que muda na prática com o desempenho de Miguel Pupo
Mas se o duelo de titãs roubou os holofotes, foi Miguel Pupo quem entregou o surfe mais vistoso do dia. Após começar em desvantagem contra o australiano George Pittar, Pupo demonstrou um controle emocional cirúrgico. Ele soube esperar as ondas certas, desferindo um backside potente que arrancou notas na casa dos oito pontos e selou o melhor somatório de todo o evento até agora: 16.77.
Além de Miguel, Yago Dora e Samuel Pupo também carimbaram seus passaportes para a próxima fase. Yago precisou de paciência em Winkipop para virar o placar contra o francês Marco Mignot em uma bateria com poucas oportunidades. Já Samuel Pupo mostrou um repertório variado contra Rio Waida, assegurando seu lugar no confronto decisivo contra Gabriel Medina.
E é aqui que está o ponto central: o Brasil terá representantes em praticamente todas as frentes das quartas de final, mantendo viva a chance de um título em uma das etapas mais tradicionais do mundo.
Como isso afeta o ranking e as surpresas negativas
Nem tudo foi celebração para o 'Brazilian Storm'. A grande surpresa do dia foi a eliminação precoce do bicampeão mundial Filipe Toledo. O brasileiro liderava o confronto contra o italiano Leonardo Fioravanti até os minutos finais, mas viu o adversário arriscar tudo em uma única onda, finalizando com uma junção técnica que lhe rendeu um 8.50 e a virada dramática.
Alejo Muniz também se despediu da competição ao ser superado pelo japonês Kanoa Igarashi. Essas quedas mudam o cenário do ranking mundial, abrindo espaço para que Medina e Yago Dora busquem uma aproximação estratégica do topo da tabela.
No feminino, a esperança brasileira segue com Luana Silva, que superou Tyler Wright em uma bateria apertada e agora enfrenta a havaiana Gabriela Bryan. O cenário para as finais em Bells Beach promete alta intensidade, com os brasileiros precisando manter a consistência física para superar o desgaste de um cronograma apertado e as condições oscilantes do mar australiano.