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Política

Trump endurece tom contra o Irã e promete ataques extremos em meio à crise do petróleo

Donald Trump promete intensificar guerra contra o Irã, minimiza alta do petróleo e ignora protestos populares nos EUA em seu primeiro pronunciamento nacional.

02 abr 2026 - 09h48 Joice Gomes
Trump endurece tom contra o Irã e promete ataques extremos em meio à crise do petróleo Donald Trump em pronunciamento nacional na Casa Branca sobre o conflito com o Irã. (Imagem: gerado por IA)

Trinta e dois dias após o início de um conflito que redesenhou as tensões globais, o presidente Donald Trump subiu à tribuna para um pronunciamento que misturou ufanismo militar e um aviso sombrio ao regime de Teerã. Em 20 minutos de fala, o líder americano não apenas reafirmou o poderio bélico dos Estados Unidos, mas prometeu uma escalada que pode levar o Irã de volta à idade da pedra.

O impacto dessas declarações ecoou imediatamente nos mercados internacionais, especialmente no setor de energia. Trump afirmou que as forças militares estão desmantelando sistematicamente a capacidade defensiva iraniana, indicando que os objetivos estratégicos centrais da operação estão prestes a ser consolidados.

A promessa é de uma ofensiva ainda mais agressiva nas próximas duas a três semanas. Segundo o presidente, os alvos estão definidos e incluem usinas de geração de energia, embora ele tenha ressaltado que, estrategicamente, evitou atacar a infraestrutura de petróleo para permitir uma futura reconstrução do país persa.

O dilema do petróleo e o Estreito de Ormuz

Um dos pontos mais sensíveis do discurso envolveu o preço do petróleo e o controle do Estreito de Ormuz. Por ali circula cerca de 20% das exportações mundiais da commodity, e o acesso segue restrito pelos iranianos, o que tem pressionado os preços dos combustíveis em todo o mundo.

Trump, no entanto, minimizou o problema doméstico, classificando a alta na gasolina americana como uma situação passageira e de curto prazo. O presidente lavou as mãos sobre a segurança da via marítima, afirmando que os países que dependem do óleo daquela região devem liderar a proteção do canal.

Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz. Não precisamos disso, disparou o mandatário. Ele reiterou que o exército americano ajudará os aliados, como Israel e Arábia Saudita, mas que a responsabilidade principal recai sobre quem consome o produto.

Silêncio sobre a crise política interna

Enquanto o discurso de Trump focava em vitórias militares e na suposta destruição das forças iranianas, o silêncio sobre a situação interna dos Estados Unidos foi ensurdecedor. O presidente não mencionou as massivas manifestações que tomaram as ruas de Nova York, Dallas e Washington no último final de semana.

Milhões de americanos protestam contra o envolvimento direto na guerra e as políticas migratórias agressivas do governo. Essa pressão popular reflete-se nos índices de aprovação de Trump, que atualmente amarga seu pior momento, com apenas um terço de apoio popular, segundo pesquisas recentes.

Ao comparar a atual operação militar com conflitos históricos como as Guerras Mundiais e o Vietnã, Trump tentou vender a ideia de que 32 dias de combate são um investimento real no futuro. Contudo, o contraste entre a retórica vitoriosa e a realidade das ruas sugere um cenário de polarização profunda no coração do poder americano.

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