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R$ 11 bilhões contra as facções: Governo Federal lança plano estratégico para sufocar o crime organizado

Governo Federal lança plano de R$ 11 bilhões focado em sufocar o poder financeiro de facções criminosas com recursos do BNDES e inteligência integrada.

12 mai 2026 - 08h30 Joice Gomes   atualizado às 08h31
R$ 11 bilhões contra as facções: Governo Federal lança plano estratégico para sufocar o crime organizado O presidente Lula detalha os eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado em cerimônia no Planalto. (Imagem: gerado por IA)

O enfrentamento ao crime organizado no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo que promete ir além das operações policiais tradicionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta terça-feira (12), o programa Brasil Contra o Crime Organizado, um pacote robusto que prevê o investimento de R$ 11 bilhões para modernizar a segurança pública e, principalmente, atacar o coração das facções: o poder financeiro.

A estratégia desenhada pelo Governo Federal não se limita ao reforço de efetivos nas ruas. Dos R$ 11 bilhões anunciados, R$ 1 bilhão virá diretamente do Orçamento da União, enquanto a maior fatia, R$ 10 bilhões, será viabilizada por meio de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas aos estados. Essa engenharia financeira é inédita para o setor de segurança e exige que os governadores formalizem adesão ao plano para acessar os recursos.

O fim do 'lucro' do crime

O foco central da nova política é a asfixia financeira. Segundo o presidente Lula, o crime organizado deixou de ser uma questão meramente policial para se tornar uma rede de "empresas multinacionais" que infiltram diversos setores da sociedade. Durante o lançamento, o presidente destacou que as facções hoje operam no futebol, na política, no meio empresarial e até em ramificações do Judiciário.

A ideia é que, ao monitorar e bloquear o fluxo de capitais, o Estado consiga desestruturar a logística do tráfico de drogas e armas sem depender apenas do confronto direto, que muitas vezes resulta em altos índices de letalidade. O programa foi estruturado em quatro eixos estratégicos que servirão de guia para as ações integradas entre as forças federais e estaduais.

Os quatro pilares da nova segurança

Para garantir que o investimento chegue à ponta com eficiência, o programa se divide em frentes específicas. A primeira é a asfixia financeira, com o fortalecimento de laboratórios de inteligência contra a lavagem de dinheiro. O segundo ponto é o fortalecimento da segurança no sistema prisional, visando impedir que as cadeias continuem servindo como escritórios de comando para as facções.

O terceiro eixo foca na qualificação da investigação de homicídios, uma área sensível no país onde a taxa de esclarecimento de crimes contra a vida ainda é considerada baixa. Por fim, o programa prioriza o combate ao tráfico de armas, agindo nas fronteiras e nas rotas terrestres que abastecem os grandes centros urbanos.

Cooperação internacional e adesão estadual

O anúncio ocorre em um momento de articulação externa. Recentemente, após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula reforçou a disposição do Brasil em colaborar com outros países para rastrear o dinheiro do narcotráfico internacional. Essa cooperação é vista como essencial para lidar com grupos que possuem bases operacionais fora do território brasileiro.

No entanto, o sucesso do Brasil Contra o Crime Organizado depende de um pacto federativo. Como a maior parte da verba depende de empréstimos do BNDES, os estados precisam apresentar projetos viáveis e alinhar suas secretarias de segurança às diretrizes federais. A expectativa é que, com equipamentos modernos, tecnologia de vigilância e inteligência de dados, as polícias estaduais possam retomar o controle de áreas conflagradas e reduzir a influência social exercida pelas facções em comunidades vulneráveis.

O desdobramento imediato será a assinatura de um decreto presidencial e quatro portarias que detalharão as regras de acesso ao crédito, colocando a segurança pública no centro do debate econômico e administrativo do país nos próximos meses.

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