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Esportes

Brasil fecha Mundial de Paraciclismo nos EUA com cinco medalhas históricas

O Brasil encerrou o Mundial de Paraciclismo de Estrada em Huntsville, EUA, com cinco medalhas e atuações brilhantes de atletas como Victoria Barbosa.

08 set 2026 - 08h33 Joice Gomes   atualizado às 08h34
Brasil fecha Mundial de Paraciclismo nos EUA com cinco medalhas históricas Atleta brasileira Victoria Barbosa celebra conquista de medalhas no pódio em Huntsville, Estados Unidos. (Imagem: Reprodução/ Instagram @vicbarbosaparaciclista)

O Brasil consolida cada vez mais sua posição de destaque no cenário esportivo paralímpico internacional. A delegação brasileira encerrou sua participação no Campeonato Mundial de Paraciclismo de Estrada, realizado em Huntsville, no estado do Alabama, Estados Unidos, com um saldo expressivo de cinco medalhas. O desempenho técnico dos atletas brasileiros nas estradas norte-americanas evidencia não apenas a evolução individual dos competidores, mas também a eficácia dos investimentos estruturais realizados pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) e pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

No último dia de competições, disputado nesta segunda-feira (7), a ciclista paranaense Victoria Barbosa carimbou sua excelente fase ao conquistar o bronze na prova de resistência da classe C1, destinada a paratletas com deficiências motoras severas que utilizam bicicletas convencionais. A prova foi vencida pela favorita chinesa Wangwei Qian, com a australiana Tahlia Clayton-Goodie assegurando a medalha de prata. Este resultado coroa uma campanha irretocável de Victoria em solo americano.

O brilho duplo de Victoria Barbosa na classe C1

A medalha obtida na prova de estrada foi o segundo pódio de Victoria Barbosa em Huntsville. Dois dias antes, no sábado (5), a ciclista já havia garantido a terceira colocação na prova contra o relógio individual, demonstrando consistência e adaptabilidade ao percurso técnico e desgastante. Na ocasião, as mesmas oponentes dividiram o pódio, com Clayton-Goodie levando o ouro e Qian ficando com a prata.

A conquista dupla carrega um forte apelo emocional e de superação para a atleta. Em suas redes sociais, Victoria expressou o sentimento de dever cumprido e a resiliência necessária para encarar a elite global do esporte. Segundo a paranaense, cada quilômetro percorrido reflete o suor diário e a preparação mental rigorosa exigida por um circuito de nível mundial. Esse desempenho recoloca o país na briga direta por vagas nos grandes eventos globais.

A experiência e a consistência de Lauro Chaman

Outro pilar histórico do paraciclismo nacional, o paulista Lauro Chaman, também deixou sua marca em Huntsville. Competindo na classe C5 (atletas com comprometimentos físico-motores mais leves), Chaman faturou o bronze na prova de contrarrelógio no sábado. Ele foi superado apenas pelo norte-americano Elouan Gardon, que jogou com o apoio da torcida local para garantir o ouro, e pelo holandês Daniel Gebru, que ficou com a prata.

Dono de múltiplos pódios paralímpicos e mundiais, Lauro Chaman segue como uma referência técnica indispensável para as novas gerações. Sua capacidade de se manter competitivo ao longo de diferentes ciclos paralímpicos reforça a solidez do trabalho de preparação de atletas de alto rendimento no Brasil, que conseguem rivalizar com potências europeias e norte-americanas que possuem orçamentos significativamente superiores.

O poder das handbikes com Jady Malavazzi e Jéssica Messali

As categorias de handbike (bicicletas movidas com os braços, indicadas para competidores cadeirantes) também renderam momentos marcantes para o esporte nacional na classe WH3. No domingo (6), Jady Malavazzi sagrou-se vice-campeã mundial na prova de resistência de fundo. A ciclista de Londrina travou uma disputa tática intensa com a francesa Anais Vincent, que acabou levando a medalha de ouro. A experiente australiana Lauren Parker completou o pódio na terceira posição.

A contagem de medalhas do Brasil havia começado justamente na sexta-feira (4), graças à performance de Jéssica Messali no contrarrelógio individual da mesma classe WH3. Jéssica garantiu a medalha de bronze ao fechar o percurso atrás de Lauren Parker (ouro) e Anais Vincent (prata). O equilíbrio de forças entre essas três atletas mostra que o Brasil possui duas das melhores competidoras de handbike do planeta, capazes de desenhar estratégias que desestabilizam as maiores potências da modalidade.

O caminho para o próximo ciclo e os desdobramentos técnicos

O saldo final em Huntsville não representa apenas a entrega de medalhas físicas, mas sim a colheita de pontos cruciais no ranking da União Ciclística Internacional (UCI). Esses pontos determinam diretamente a distribuição de vagas para as próximas edições dos Jogos Paralímpicos, injetando otimismo na comissão técnica brasileira.

O desempenho dos atletas nas diferentes classes (C1, C5 e WH3) sinaliza um amadurecimento tático. O trabalho integrado de análise de desempenho, biomecânica e suporte psicológico oferecido nas instalações do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, começa a mitigar gargalos históricos enfrentados por atletas do país. O foco agora se volta para a lapidação aeróbica e o investimento tecnológico em equipamentos de última geração, elementos determinantes para transformar frações de segundos em medalhas de ouro.

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