Duelo decisivo na Arena Fonte Nova terminou com placar igualado.
(Imagem: Catarina Brandão/EC Bahia)
O primeiro capítulo das quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino entregou a intensidade e o refinamento tático que se espera do topo da pirâmide do futebol nacional. Na noite desta segunda-feira, Bahia e Palmeiras empataram em 1 a 1 na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador, deixando a briga pela vaga na semifinal completamente aberta.
O resultado reflete um equilíbrio que desafiou a tabela de classificação. Durante a primeira fase, o Palmeiras somou 36 pontos, garantindo a terceira colocação, enquanto as Mulheres de Aço fecharam em sexto, com 29. No entanto, dentro das quatro linhas, o abismo estatístico desapareceu sob a forte pressão defensiva imposta pela equipe baiana e a noite inspirada de sua goleira.
A engenharia tática e a quebra de linhas na Fonte Nova
O Palmeiras iniciou a partida tentando impor o ritmo habitual de posse de bola e transição rápida. A estratégia palestrina surtiu efeito aos 28 minutos do primeiro tempo. A lateral Raíssa Bahia, escalada em uma função ofensiva mais avançada, carregou o jogo pelo corredor central e encontrou a volante Brena livre na intermediária.
Com espaço, a meio-campista finalizou com precisão no canto esquerdo. A goleira Yanne chegou a se esticar, mas não conseguiu evitar a abertura do placar. O gol parecia consolidar o favoritismo do Verdão, mas a resposta tricolor veio antes mesmo do intervalo, baseada em um contra-ataque cirúrgico e de alta velocidade.
Aos 44 minutos, após uma intervenção salvadora de Yanne na defesa, o Bahia acionou a velocidade de Raquel. A meia carregou a transição e serviu a atacante uruguaia Wendy Carballo na ponta esquerda. Carballo driblou Giovanna Campiolo, bateu firme e contou com um desvio na zagueira Pati Maldaner para enganar a goleira Kate Tapia e decretar a igualdade.
Yanne: a muralha tricolor que frustrou os planos paulistas
Se o primeiro tempo foi marcado pelo equilíbrio estratégico, a etapa final consagrou a arqueira do Bahia como o grande nome da noite. Aos 14 minutos, o Palmeiras teve a oportunidade de ouro para retomar a dianteira após pênalti cometido por Dan Nunes sobre Tainá Maranhão. A experiente atacante Bia Zaneratto assumiu a cobrança.
Bia Zaneratto buscou o canto direito baixo, mas esbarrou em uma defesa monumental de Yanne, que leu perfeitamente a trajetória da bola. A defesa inflamou a torcida na Fonte Nova e deu sustentação psicológica ao sistema defensivo do técnico do Bahia.
A pressão palmeirense persistiu, mas parou repetidamente na goleira tricolor. Aos 29 minutos, em finalização cruzada de Gláucia, e logo depois, aos 31, em tentativa à queima-roupa de Tainá Maranhão, Yanne voltou a operar milagres. A solidez debaixo das traves anulou o repertório ofensivo do time paulista, que terminou o jogo com um sentimento de frustração diante do volume criado.
O que esperar do jogo de volta na Arena Barueri?
O confronto decisivo está agendado para a próxima sexta-feira, às 21h30, na Arena Barueri. Com o empate persistente, o regulamento é simples: quem vencer avança às semifinais. Uma nova igualdade, independentemente do número de gols, levará a decisão da vaga diretamente para as cobranças de pênaltis.
Para o Palmeiras, o desafio será calibrar a pontaria e encontrar alternativas para furar o bloqueio baiano sem depender unicamente de jogadas individuais. Já o Bahia precisa manter a consistência defensiva e ajustar a precisão nos contragolpes para surpreender as paulistas fora de casa. O cenário promete mais um duelo de altíssima exigência mental e física.