Gol da vitória do Corinthians sobre o Cruzeiro na Arena Independência.
(Imagem: Reprodução/Cris Mattos/Staff Images Woman/CBF)
O primeiro capítulo das quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino desenhou um roteiro de pura persistência. Em Belo Horizonte, as Brabas do Corinthians venceram as Cabulosas do Cruzeiro por 1 a 0, em partida realizada nesta segunda-feira na Arena Independência. O gol salvador, marcado por Vic Albuquerque aos 50 minutos do segundo tempo, premiou o volume tático da equipe paulista e quebrou a resistência heroica da goleira Cláudia.
A vitória de hoje coloca o Corinthians em uma posição confortável, jogando por um empate na partida de volta para avançar às semifinais da competição nacional. Para o Cruzeiro, resta a missão de vencer em solo paulista por dois gols de diferença para buscar a classificação direta, ou por um gol para forçar a disputa por pênaltis. Este embate carrega o peso de reeditar a grande final da temporada anterior, quando as corintianas garantiram o heptacampeonato nacional.
O paredão de Belo Horizonte e o bombardeio paulista
Desde o apito inicial, as paulistas impuseram um ritmo forte sob a liderança técnica de Tamires e Gabi Zanotti. Aos 11 minutos, a goleira cruzeirense Cláudia fez a primeira de uma série de intervenções difíceis, defendendo cabeçada à queima-roupa de Jhonson. A pressão corintiana só aumentava, explorando com sucesso os erros de transição defensiva do Cruzeiro no meio-campo.
Pouco antes do intervalo, a zaga cruzeirense precisou se desdobrar para evitar a desvantagem. Aos 33, a volante Capelinha evitou o gol ao salvar uma finalização de Gabi Zanotti em cima da linha. Na sequência, Zanotti tentou surpreender por cobertura, exigindo que Cláudia se esticasse inteira para mandar a bola para escanteio com a ponta dos dedos.
Persistência na etapa final e o gol salvador de Vic
O segundo tempo manteve o cenário de ataque contra defesa. O Corinthians empurrou as donas da casa para a intermediária, mas esbarrou novamente no talento individual de Cláudia. Aos 23 minutos, a uruguaia Belén Aquino construiu grande jogada e serviu Gisela Robledo. O chute rasteiro parecia ter endereço certo, mas a arqueira mineira operou um milagre ao desviar a bola com o pé direito direto para a trave.
Quando o empate parecia consolidado, a insistência corintiana deu resultado. Já nos acréscimos, aos 50 minutos, a bola sobrou limpa para Vic Albuquerque após um corte mal feito da defesa cruzeirense. Com extrema frieza, a maior artilheira da história do futebol feminino do Corinthians dominou e bateu firme, sem chances de defesa, definindo o placar final.
Bastidores e o mistério sobre o palco decisivo
A vitória de 1 a 0 garante uma vantagem psicológica valiosa para as Brabas, mas a preparação para o segundo jogo traz discussões administrativas fora das quatro linhas. Marcado para a próxima segunda-feira, o confronto de volta tem mando do Corinthians, mas o local oficial ainda não foi confirmado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Tradicionalmente, a equipe feminina do Corinthians manda suas partidas no Parque São Jorge. No entanto, o regulamento da CBF para a fase de mata-mata exige estádios com capacidade mínima de 10 mil espectadores, o que inviabiliza o uso da estrutura clássica do clube. O desdobramento natural aponta para a Neo Química Arena, mas o departamento de futebol estuda viabilidades de calendário para oficializar a sede do confronto que definirá a vaga na semifinal.