Fachada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, que passa a operar com plantão 24 horas para atendimento especializado.
(Imagem: Divulgação/Reprodução)
A partir desta terça-feira (1º), a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande passa a operar sob regime de plantão ininterrupto. A transição para o atendimento 24 horas representa um marco na rede de proteção social e segurança pública da Baixada Santista, garantindo acolhimento imediato a vítimas de violência doméstica, crimes sexuais e tentativas de feminicídio a qualquer hora do dia ou da noite.
Até então, ocorrências registradas fora do horário comercial precisavam ser encaminhadas para a delegacia de polícia comum, por meio do plantão policial centralizado. Essa dinâmica, historicamente apontada por movimentos sociais como um gargalo, muitas vezes submetia as vítimas a um processo de revitimização devido à falta de policiais especializados em questões de gênero nos plantões gerais noturnos ou de finais de semana.
O que muda na prática com o plantão ininterrupto
A ampliação do serviço estruturada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) assegura que toda a estrutura de atendimento psicossocial e policial da DDM de Praia Grande esteja ativa sem interrupções. Isso significa que, além do registro do boletim de ocorrência, procedimentos de urgência — como a solicitação de medidas protetivas de urgência previstas pela Lei Maria da Penha e o encaminhamento para exames periciais no Instituto Médico Legal (IML) — serão agilizados no momento exato em que a agressão ou ameaça ocorrer.
A presença constante de equipes qualificadas é crucial nas primeiras horas após o crime, período considerado decisivo pelas autoridades de segurança para resguardar provas físicas em episódios de violência sexual e garantir o afastamento imediato do agressor do lar comum.
A urgência regional na Baixada Santista
A escolha de Praia Grande para receber a expansão do serviço não ocorre por acaso. Trata-se de uma das cidades de maior crescimento demográfico do litoral paulista e que sofre uma flutuação populacional massiva durante as temporadas de turismo. Esse fluxo sazonal de visitantes frequentemente sobrecarrega os serviços públicos locais e, segundo dados de segurança, correlaciona-se com picos nos registros de perturbação do sossego e violência intra-familiar.
Especialistas em segurança pública apontam que a descentralização do atendimento de gênero e a consolidação de DDMs 24 horas são passos fundamentais, mas que exigem suporte contínuo de recursos humanos e de infraestrutura de transporte para as vítimas. Muitas vezes, a dificuldade de deslocamento até a delegacia durante a madrugada impede que a denúncia seja formalizada de forma imediata.
Como buscar acolhimento e formalizar denúncias
A DDM de Praia Grande está localizada em ponto estratégico do município para facilitar o acesso físico. Para além do atendimento presencial que agora se torna contínuo, a população dispõe de alternativas digitais importantes. O portal da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil permite o registro de ocorrências de violência doméstica de forma remota, gerando o mesmo valor jurídico e encaminhando o caso para análise rápida das delegacias especializadas.
Canais nacionais de apoio como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e, em casos de emergência policial imediata, o 190 da Polícia Militar continuam atuando como as principais portas de entrada e triagem de urgência na região do litoral paulista.
O futuro da rede de proteção em Praia Grande e nas cidades vizinhas depende agora da integração desse novo fluxo da DDM com as redes municipais de saúde e assistência social, garantindo que a mulher, após deixar a delegacia nas primeiras horas da manhã, encontre abrigo seguro e acompanhamento terapêutico de longo prazo.