Equipes da Sesurb realizam limpeza preventiva nas galerias de escoamento em Praia Grande.
(Imagem: Divulgação/PPG)
O escoamento das águas pluviais em cidades litorâneas é um dos maiores desafios de infraestrutura urbana no país. Ciente dessa realidade, a Prefeitura de Praia Grande, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb), mantém um cronograma ininterrupto de manutenções preventivas em sua rede de drenagem. A iniciativa busca antecipar os impactos de temporais, garantindo que as vias permaneçam trafegáveis e seguras para moradores e turistas.
Diferente das intervenções emergenciais, que ocorrem após o início de enchentes, o trabalho preventivo foca na desobstrução sistemática de galerias subterrâneas, canais e tubulações. Esse esforço contínuo evita o colapso do sistema de escoamento urbano quando o volume de chuva excede a média histórica da região.
Como funciona a operação sob o asfalto
A operação diária envolve equipes especializadas equipadas com caminhões hidrojato e ferramentas manuais de desobstrução. O foco principal está na limpeza de bocas de lobo e poços de visita, pontos críticos onde o lixo descartado incorretamente e as folhas secas costumam se acumular, criando barreiras físicas para a água.
O processo de hidrojateamento utiliza jatos de água de altíssima pressão para romper bloqueios profundos no interior das tubulações. Essa tecnologia permite recuperar o diâmetro original dos tubos que, com o tempo, acumulam sedimentos e reduzem drasticamente a capacidade de vazão do sistema público.
O desafio geográfico da areia e das marés
Praia Grande possui características geográficas singulares que exigem atenção redobrada. Por estar localizada em uma planície costeira, a cidade sofre com a influência direta das marés e com o vento constante que transporta toneladas de areia fina da praia para o tecido urbano.
Essa areia penetra facilmente nas frestas das tampas de bueiro e se deposita no fundo das galerias. Sem a remoção periódica feita pela Sesurb, o sedimento compacta-se, transformando canais de escoamento em barreiras sólidas. O monitoramento constante desse fenômeno garante que as saídas de água para o mar permaneçam desimpedidas.
Prevenção contra doenças e valorização do espaço público
Os benefícios da manutenção vão além de evitar carros submersos ou trânsito lento nas principais avenidas da Baixada Santista. O acúmulo de água parada decorrente de canais obstruídos é um catalisador para a proliferação de vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Além disso, o controle eficiente das cheias protege o comércio local e valoriza o mercado imobiliário da região. Ruas que não alagam atraem novos investimentos comerciais e residenciais, consolidando Praia Grande como um dos polos de desenvolvimento mais dinâmicos do litoral de São Paulo.
Modernização e engajamento comunitário
Para os próximos meses, o planejamento municipal prevê a expansão do uso de sensores de monitoramento de nível de água nos principais canais de escoamento. O objetivo é criar um sistema de alerta precoce integrado com a Defesa Civil, otimizando ainda mais a logística de envio das equipes de manutenção.
O sucesso de longo prazo desse ecossistema de drenagem depende também do descarte correto de resíduos por parte da população. O lixo jogado nas calçadas anula rapidamente o esforço das equipes de limpeza, mostrando que a segurança urbana contra desastres climáticos é um pacto coletivo entre poder público e sociedade civil.