Instalações da Sabesp em Cubatão sofreram vandalismo e furto de fiação elétrica, prejudicando milhares de moradores na Baixada Santista.
(Imagem: Divulgação/Sabesp)
O furto de cabos e componentes elétricos deixou de ser um mero prejuízo patrimonial para se consolidar como uma das maiores ameaças aos serviços essenciais no país. Na madrugada desta quarta-feira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) confirmou que uma ação criminosa na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Cubatão paralisou equipamentos estratégicos, interrompendo o fornecimento de água potável para quatro das principais cidades da Baixada Santista.
O ataque comprometeu diretamente o abastecimento em Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá. Juntos, esses municípios concentram a maior parte da população fixa e flutuante da região metropolitana. Moradores e comércios locais já começam a sentir os efeitos da queda abrupta na pressão das redes distribuidoras.
O impacto no coração do sistema de distribuição
A ETA Cubatão funciona como o núcleo do sistema integrado de abastecimento da região. Quando criminosos invadem essas instalações para extrair cabos de cobre, eles não apenas interrompem a energia elétrica, mas desativam os potentes motores que realizam a captação e o bombeamento do recurso hídrico pelas adutoras.
A complexidade de reparar esses danos elétricos em curto espaço de tempo impõe um desafio logístico. Equipes técnicas da Sabesp foram mobilizadas em caráter de urgência para realizar a substituição da fiação vandalizada e restabelecer os sistemas de automação. No entanto, a normalização completa do fornecimento de água não ocorre de forma imediata.
Diferente da energia elétrica, que retorna ao apertar de um interruptor, a água depende da pressurização gradual das tubulações. Os pontos mais altos das cidades e as residências que não possuem reservatórios internos adequados (caixas d'água) são sempre os primeiros a sofrer e os últimos a recuperar o abastecimento regular.
A epidemia do roubo de cobre na infraestrutura pública
O episódio na Baixada Santista reflete um cenário de vulnerabilidade compartilhado por concessionárias de serviços públicos em todo o território nacional. O cobre, amplamente utilizado em fiações industriais, possui alto valor de revenda no mercado clandestino de reciclagem, o que alimenta uma cadeia criminosa de receptação difícil de ser combatida sem fiscalização rigorosa nos ferros-velhos.
Especialistas em segurança pública apontam que as estações de tratamento e reservatórios, muitas vezes situados em áreas periféricas ou de vegetação densa para facilitar a captação, tornam-se alvos vulneráveis. A reincidência desses crimes tem forçado as empresas de saneamento a investir pesado em sistemas de videomonitoramento, sensores de presença e segurança privada terceirizada, custos que acabam pesando indiretamente na tarifa final paga pelo consumidor.
Como mitigar os efeitos da interrupção temporária
A Sabesp emitiu um alerta formal solicitando que a população adote medidas rigorosas de consumo consciente. Atividades não essenciais, como a lavagem de calçadas, carros e o enchimento de piscinas, devem ser adiadas até que o sistema esteja plenamente recuperado.
O uso racional da reserva das caixas d'água residenciais é fundamental para evitar o colapso completo nas torneiras. Para estabelecimentos que prestam serviços essenciais, como hospitais, prontos-socorros e escolas estaduais e municipais, a concessionária informou que disponibilizará caminhões-pipa para garantir o funcionamento básico das operações.
O desdobramento desse caso reacende o debate sobre a necessidade de endurecimento das penas para crimes de receptação de metais e um monitoramento integrado entre as polícias Civil e Militar e as prefeituras da região. O restabelecimento total depende não apenas do reparo físico, mas de uma trégua na ousadia de quadrilhas que enxergam na infraestrutura vital um alvo fácil de monetização rápida.