Jogadoras do Corinthians comemoram a classificação para a semifinal do Brasileiro Feminino no Canindé.
(Imagem: Reprodução/Rodrigo Gazzanel/Corinthians)
O Corinthians carimbou seu passaporte para a semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol em grande estilo. Na noite desta segunda-feira (7), as Brabas derrotaram o Cruzeiro por 3 a 1 no Estádio do Canindé, em São Paulo, consolidando uma hegemonia incontestável de dez presenças consecutivas nesta fase do torneio nacional.
Com a vantagem construída no jogo de ida em Belo Horizonte, quando venceram por 1 a 0, o elenco paulista soube absorver a pressão inicial das mineiras para desenhar uma vitória tática sólida. Agora, o caminho rumo ao octacampeonato nacional reserva um confronto inédito contra o Bahia, que eliminou o Palmeiras.
O susto inicial e a reação cirúrgica das Brabas
O Cruzeiro entrou em campo ciente de que precisava reverter o placar agregado de qualquer maneira. A estratégia agressiva das Cabulosas surtiu efeito logo aos cinco minutos. Após cobrança de falta de Byanca Brasil, a zagueira Erika se atrapalhou no corte e a artilheira Marília mandou de cabeça para o fundo das redes, abrindo o placar do jogo de volta.
O gol precoce acordou o Corinthians, que acionou sua forte transição ofensiva. Aos 12 minutos, Gabi Zanotti encontrou Jhonson, que cabeceou com perigo, exigindo grande defesa da goleira Cláudia. Pouco depois, após escanteio cobrado por Tamires, a bola carimbou a trave esquerda das mineiras.
A igualdade corintiana veio aos 19 minutos, fruto de uma falha de saída de bola do Cruzeiro. Vic Albuquerque recuperou a posse na intermediária e serviu a uruguaia Belén Aquino. Com visão de jogo refinada, Aquino encontrou Jhonson livre na área para empurrar para as redes e acalmar a torcida paulista.
A reconstrução permanente sob a dinastia corintiana
A presença constante do Corinthians nas fases decisivas do Campeonato Brasileiro Feminino não ocorre por acaso. Mesmo após transições de comissão técnica e mudanças no elenco ao longo das últimas temporadas, o clube do Parque São Jorge mantém uma estrutura de alta performance.
A dinâmica imposta pelas Brabas no Canindé expõe como o elenco consegue alternar ritmos de jogo. Quando esteve atrás no placar, a equipe não se desesperou, utilizando a experiência de jogadoras de seleção como Tamires e a inteligência tática de Vic Albuquerque para controlar a ansiedade do Cruzeiro e retomar o controle do jogo.
A virada corintiana não demorou. Apenas oito minutos depois do empate, em um contragolpe veloz, Gabi Zanotti cruzou rasteiro para a área. Inteligente, Jhonson fez um corta-luz primoroso, permitindo que a lateral-esquerda Tamires surgisse livre para finalizar direto no ângulo de Cláudia.
Domínio tático e consolidação da vaga na semifinal
Na etapa final, o Cruzeiro tentou retomar as rédeas do jogo, mas esbarrou na trave em finalização de Marília e na falta de pontaria em chances claras de Byanca Brasil. O castigo do Corinthians foi cirúrgico e veio aos 15 minutos do segundo tempo.
Belén Aquino bateu escanteio fechado, a defesa mineira desviou parcialmente e a zagueira Thaís Ferreira aproveitou a sobra para fazer o terceiro gol paulista. A defensora, que já havia marcado o gol do título no ano anterior contra o mesmo adversário, reafirmou seu papel de destaque em decisões.
O que esperar do confronto histórico contra o Bahia
Classificado para a semifinal, o Corinthians agora mede forças com a grande surpresa do campeonato. O Bahia garantiu sua vaga histórica ao eliminar o favorito Palmeiras em plena Arena Barueri, decidindo o confronto nos pênaltis por 5 a 4.
Do outro lado, o Bahia chega com a moral elevada após desbancar um dos elencos mais caros do país. O triunfo tricolor na Arena Barueri mostrou que a equipe nordestina possui repertório para resistir à pressão e aproveitar oportunidades cirúrgicas, algo que exigirá atenção redobrada do sistema defensivo do Corinthians.
As datas, locais e horários das semifinais ainda serão detalhados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No entanto, o embate promete colocar à prova a solidez defensiva das tricolores baianas contra o repertório ofensivo avassalador das atuais heptacampeãs consecutivas do país.