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Coalizão global liderada pelo Brasil prioriza combate à dengue como primeiro desafio em saúde pública

25 mar 2026 - 08h37 Joice Gomes   atualizado às 08h39
Coalizão global liderada pelo Brasil prioriza combate à dengue como primeiro desafio em saúde pública Ministério da Saúde anuncia dengue como prioridade da Coalizão Global para Produção Local e Inovação. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O combate à dengue surge como o primeiro grande desafio da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo a produtos de saúde, iniciativa impulsionada pela presidência brasileira do G20.

Anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o foco reflete a gravidade da doença, endêmica em mais de 100 países e responsável por até 400 milhões de infecções anuais no mundo.

Origem e membros da coalizão

A coalizão nasceu durante a presidência brasileira do G20 em 2024, com o objetivo de democratizar o acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias de saúde, especialmente em nações em desenvolvimento.

Além do Brasil, integram o grupo África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assume o secretariado executivo, trazendo expertise em cooperação internacional.

Mario Moreira, presidente da Fiocruz, destaca projetos com países da África e América Latina para formar competências locais em ciência e tecnologia. Essa estrutura visa responder a emergências globais com produção regional sustentável.

Dengue no Brasil: números e projeções alarmantes

No Brasil, a dengue continua a desafiar o sistema de saúde. Projeções do consórcio InfoDengue–Mosqlimate estimam 1,8 milhão de casos prováveis na temporada 2025-2026, com São Paulo concentrando 54% das infecções e Minas Gerais 10%.

Até março de 2026, o país registra 28 mortes pela doença, apesar de uma desaceleração em relação a 2025, quando houve 1,66 milhão de casos e 1.780 óbitos. O período de pico histórico ocorre entre março e maio.

As mudanças climáticas agravam o cenário: temperaturas elevadas, chuvas intensas e maior umidade favorecem o Aedes aegypti. Regiões como Sul e Centro-Oeste, antes menos afetadas, agora enfrentam expansão da doença devido a ondas de calor prolongadas e desmatamento.

Vacina nacional e parcerias internacionais

Um avanço crucial é a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan em dose única – a primeira do mundo nesse formato, aprovada pela Anvisa. Ela oferece proteção ampla contra os sorotipos do vírus.

Parceria com a chinesa WuXi Biologics amplia a produção para 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. O ministro Padilha enfatiza que isso facilita a adesão e logística no SUS.

A coalizão abre chamada de propostas para projetos sobre dengue, visando fortalecer capacidades locais e regionais. O Brasil assinou ainda Carta de Intenções com o International Vaccine Institute para novas vacinas.

Outras frentes de inovação em saúde

Além da dengue, o Ministério da Saúde avança na produção 100% nacional do Tacrolimo, imunossupressor essencial para 120 mil transplantados no SUS. O custo mensal, antes de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, agora é garantido localmente via Farmanguinhos/Fiocruz, em parceria com a Índia.

Essa iniciativa, por Parceria de Desenvolvimento Produtivo, assegura suprimento mesmo em crises globais, como pandemias ou conflitos.

  • Transferência tecnológica completa com a biofarmacêutica indiana Biocon e Libbs nacionaliza o insumo ativo.
  • Primeiro lote: mais de um milhão de unidades em concentrações de 1mg e 5mg.
  • Economia estimada: bilhões de reais em anos recentes para o SUS.

Preparação para futuras pandemias

O país investe em tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) com um novo centro na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), somando R$ 65 milhões aos R$ 150 milhões já aplicados na Fiocruz e Butantan.

Vacinas mRNA usam código genético do patógeno para estimular anticorpos, sem o vírus inativado. Três instituições públicas agora lideram essa frente, posicionando o Brasil para respostas rápidas a novas ameaças.

Padilha reforça: "Queremos um mundo com mais vacinas e medicamentos acessíveis, menos guerras e mortes evitáveis". A coalizão demonstra que cooperação Sul-Sul pode transformar a saúde global.

Impactos e perspectivas

Essas ações prometem reduzir desigualdades em acesso a saúde, fortalecendo soberania tecnológica. Para a dengue, combinam prevenção, vacinação e inovação em tratamentos.

Com o Brasil à frente, a coalizão pode inspirar respostas a outras arboviroses como zika e chikungunya. A população ganha com estoques garantidos e custos menores, mas o combate ao mosquito exige ação coletiva.

Autoridades alertam: elimine criadouros, use repelentes e vacine-se quando elegível. O sucesso depende de integração entre governos, ciência e sociedade.

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