Representação editorial conceitual de uma operação de resposta a um surto de Ebola.
(Imagem: gerado por IA)
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RD Congo) continua avançando em ritmo acelerado e já ultrapassou a marca de 5 mil casos confirmados. Dados divulgados nesta semana por autoridades congolesas e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a epidemia, causada pelo vírus Bundibugyo, tornou-se a maior já registrada no país em número de infecções.
Segundo dados do governo congolês citados por organismos internacionais, havia 5.021 casos confirmados e 2.378 mortes até domingo (16). A letalidade permanece próxima de 50%, embora o índice varie entre as regiões afetadas.
A OMS já classificou o episódio como o surto de Ebola de crescimento mais rápido da história recente. Em atualização de 14 de agosto, quando ainda eram contabilizados 4.665 casos e 2.184 mortes no país, a organização informou que a transmissão seguia intensa e mais veloz do que em epidemias anteriores.
Doença já alcança seis províncias
O surto começou na província de Ituri e se espalhou para outras áreas do leste e do norte da RD Congo. Até meados de agosto, casos haviam sido confirmados em 54 zonas de saúde distribuídas por seis províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Tshopo e Bas-Uélé.
Ituri permanece como a região mais atingida. A expansão territorial preocupa autoridades porque a intensa mobilidade da população, os deslocamentos forçados e as rotas comerciais entre diferentes regiões aumentam o risco de transmissão para novos locais.
A crise de segurança no leste congolês também dificulta a resposta. Conflitos armados, ataques a unidades de saúde e resistência de parte das comunidades têm prejudicado o rastreamento de contatos, a identificação rápida de casos e o encaminhamento de pacientes para tratamento.
ONU fala em avanço exponencial
O coordenador sênior da ONU para o Ebola, Julien Harneis, afirmou nesta sexta-feira (21) que a epidemia está se espalhando de forma exponencial e já provocou mais de 2,5 mil mortes, de acordo com informações divulgadas pela agência Reuters. A diferença em relação aos números consolidados anteriores reflete a atualização contínua do surto.
A Organização Mundial da Saúde também vem alertando que a resposta precisa crescer na mesma velocidade da epidemia. Equipes de saúde ampliaram a capacidade de atendimento, reforçaram a vigilância epidemiológica e passaram a mobilizar mais agentes comunitários para localizar contatos e encaminhar pessoas com sintomas.
Variante não tem vacina aprovada
O surto atual é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies capazes de causar doença pelo vírus Ebola. Diferentemente do vírus Zaire, responsável por grandes epidemias anteriores, não há atualmente vacina licenciada especificamente para prevenir a doença causada pela variante Bundibugyo.
Também não há tratamento específico aprovado para essa espécie do vírus, embora pesquisas e ensaios clínicos estejam em andamento. O atendimento médico se concentra em suporte intensivo, hidratação, controle de complicações, isolamento dos pacientes e interrupção das cadeias de transmissão.
Emergência internacional continua
A OMS mantém o surto como uma emergência de saúde pública de importância internacional. A organização avalia que ainda é possível reverter a expansão da epidemia, mas condiciona esse cenário ao aumento dos recursos disponíveis e à ampliação das ações de vigilância, tratamento e comunicação com as comunidades.
Além da RD Congo, casos relacionados ao surto já foram registrados anteriormente em Uganda e em uma pessoa diagnosticada na França após atuação na resposta à epidemia. A OMS informou que não houve transmissão secundária associada ao caso francês.
O cenário segue em rápida evolução, e os números podem mudar à medida que novas notificações e resultados laboratoriais são incorporados pelas autoridades de saúde.