O Agente Secreto conquista quatro indicações ao Oscar 2026.
(Imagem: Divulgação/Victor Jucá/Gov.br)
Na manhã desta quinta-feira (22), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados à 98ª edição do Oscar 2026, e o Brasil celebrou um marco inédito. O país alcançou cinco indicações, superando o recorde anterior de quatro nomeações conquistado por Cidade de Deus em 2004.
O grande destaque ficou para o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que recebeu quatro indicações: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor escalação de elenco para Gabriel Domingues. Essa é a primeira vez que um brasileiro concorre na nova categoria de melhor elenco, criada recentemente pela Academia.
Além disso, o cinematógrafo Adolpho Veloso foi indicado à melhor fotografia pelo trabalho em Sonhos de Trem, elevando o total de menções brasileiras a cinco. A cerimônia de premiação está marcada para 15 de março, em Los Angeles, e o cinema nacional vai com tudo para tentar repetir o sucesso de 2025, quando Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, levou o Oscar de melhor filme internacional.
Histórico do Brasil na academia
O caminho do Brasil no Oscar começou em 1945, com a música Rio de Janeiro, de Ary Barroso, concorrendo a melhor canção original. De lá para cá, o país acumulou 26 indicações em 15 categorias, mas só em 2025 veio a primeira vitória, com Ainda Estou Aqui, que retratou o desaparecimento de Rubens Paiva na ditadura militar.
Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, foi o recordista até agora, com indicações a direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem. O filme mudou até as regras de votação da Academia e arrecadou mais de US$ 30 milhões em bilheteria mundial. Agora, O Agente Secreto iguala e supera esse feito, mostrando a maturidade do cinema brasileiro.
- 1945: Primeira indicação com Ary Barroso (melhor canção).
- 2004: Cidade de Deus com quatro indicações (recorde anterior).
- 2025: Ainda Estou Aqui vence melhor filme internacional.
- 2026: Cinco indicações, com liderança de O Agente Secreto.
O Agente Secreto: O filme do momento
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, conhecido por Bacurau e Aquilino, O Agente Secreto já havia brilhado no Festival de Cannes, onde Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator e o diretor foi homenageado. A trama, que mistura thriller e crítica social, representa o Brasil na categoria internacional e surpreende ao entrar também na disputa de melhor filme, algo raro para produções estrangeiras.
Wagner Moura, como protagonista, é cotado como forte concorrente ao lado de astros hollywoodianos. Sua performance intensa foi elogiada mundialmente, consolidando-o como um dos maiores atores brasileiros em Hollywood. A indicação de Gabriel Domingues em melhor elenco reforça o talento técnico por trás da produção pernambucana.
Outros destaques e o caminho até aqui
Sonhos de Trem, com a fotografia de Adolpho Veloso, compete em uma categoria técnica sempre disputada. O filme explora narrativas poéticas do interior brasileiro, destacando a beleza visual capturada pelo profissional. Essa indicação mostra a diversidade do Brasil no Oscar 2026, indo além de um único título.
O processo seletivo foi intenso: a Academia Brasileira de Cinema escolheu O Agente Secreto entre finalistas como O Último Azul, de Gabriel Mascaro, e Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa. Em dezembro de 2025, longas avançaram nas shortlists, pavimentando o caminho para esse recorde histórico.
Com 26 indicações acumuladas, o Brasil consolida sua presença global. Especialistas apontam que essa safra reflete investimentos em coproduções e festivais internacionais. A torcida agora é para que as estatuetas venham, repetindo o feito de 2025 e elevando ainda mais o orgulho nacional.
Expectativas para a cerimônia
A 98ª edição do Oscar ocorre em um momento de renovação, com novas categorias e regras mais inclusivas. O Brasil chega forte, mas enfrenta concorrência de gigantes como EUA e Europa. Analistas veem chances reais para Wagner Moura e O Agente Secreto, especialmente após o buzz em Cannes e Toronto.
Enquanto isso, o cinema brasileiro celebra. Produtores destacam que essas indicações abrem portas para financiamentos e distribuições internacionais. O Brasil no Oscar 2026 não é só números: é reconhecimento ao talento que pulsa nas telas do mundo.