A Tubaina tradicional foi criada no interior de São Paulo por imigrantes italianos.
(Imagem: Divulgação/Reprodução)
Piracicaba, no interior de São Paulo, carrega com orgulho o apelido de terra da tubaina. Esse refrigerante artesanal, de sabor doce e nostálgico, nasceu nas ruas da cidade no final do século 19 e se tornou símbolo da cultura caipira.
A tubaina é mais que uma bebida: representa tardes quentes, lanches simples e memórias afetivas de gerações. Feita tradicionalmente com guaraná, essências de frutas como tutti-frutti e um toque de açúcar, ela custava bem menos que as marcas industriais, conquistando o povo do interior.
Origens em Piracicaba
A história aponta para a família Andrade como pioneira. Em 1898, José Miguel de Andrade, dono de uma fábrica de licores, criou a Cotubaína – nome inspirado na gíria da época "tá cotuba", que significava algo delicioso.
Em 1913, a família Orlando lançou a Etubaína, ainda produzida hoje na quarta geração. Essas fábricas familiares usavam garrafas de vidro retornáveis e misturas simples, marcando o início de um gênero de refrigerantes regionais.
Piracicaba consolidou o título de terra da tubaina porque ali a bebida ganhou fama nacional, acompanhando o dia a dia dos moradores com pão na chapa, mortadela e conversas nas varandas.
Características e popularidade
O segredo da tubaina está na receita caseira: guaraná para o fundo, aromatizantes de frutas para o sabor único e gás suficiente para refrescar. Diferente dos refrigerantes globais, ela evoca o jeitão simples do interior paulista.
- Cor viva e aroma inconfundível de frutas mistas.
- Preço acessível, cerca de 20% de uma Coca-Cola na época.
- Produzida em pequenas fábricas familiares, com distribuição local.
- Combinações clássicas: com pamonha, pastel ou lanche de padaria.
Hoje, marcas como Itubaína, Funada e Etubaína Orlando mantêm a tradição viva, espalhadas pelo Brasil, mas Piracicaba segue como epicentro cultural.
Tradições e festivais
A cidade celebra sua herança com eventos que reúnem famílias em torno da tubaina gelada. Festivais locais destacam a bebida em shows, feiras gastronômicas e concursos, reforçando o orgulho piracicabano.
Embora edições recentes ocorram em outras praças, como Presidente Prudente, o berço em Piracicaba inspira essas festas. Elas misturam música caipira, comida típica e muita tubaina, preservando o ritual social da bebida.
Em um mundo de opções industriais, a tubaina de Piracicaba resiste como patrimônio imaterial. Ela não só refresca, mas conecta passado e presente, provando que sabores simples podem ser eternos.
Impacto cultural
A terra da tubaina exporta sua identidade para além das fronteiras estaduais. Bandas e histórias locais citam a bebida em letras e relatos, como um elo com as raízes caipiras.
Para os moradores, pedir uma tubaína é reviver a infância nas ruas de Piracicaba. Esse refrigerante artesanal resiste à modernidade, simbolizando resistência cultural e afeto genuíno.
Visitar a região significa provar a original: gelada, efervescente e cheia de história. Piracicaba não cansa de brindar à sua criação mais doce.