O HD 137010 b desperta esperanças na busca por vida extraterrestre. Com tamanho próximo ao da Terra e chance de 50% de habitabilidade, representa marco na astronomia moderna.
(Imagem: Reprodução/Nasa)
Astônomos anunciaram nesta semana uma descoberta que reacende o debate sobre vida além do Sistema Solar. O HD 137010 b, planeta rochoso detectado a 146 anos-luz da Terra, apresenta características que o colocam como forte candidato à habitabilidade.
Com dimensões apenas 6% maiores que as da Terra, o exoplaneta orbita sua estrela na região onde a água pode existir em estado líquido. Pesquisadores da Universidade do Sul de Queensland, em colaboração com Harvard e Oxford, identificaram o corpo celeste através de dados históricos do telescópio Kepler.
Como foi detectado o HD 137010 b
A descoberta do HD 137010 b aconteceu por meio do método de trânsitos, técnica consagrada que registra diminuições no brilho estelar causadas pelo planeta ao passar diante de sua estrela. O evento durou aproximadamente 10 horas, permitindo calcular seu tamanho e órbita com precisão.
Os dados vieram da missão K2 do telescópio espacial Kepler, da Nasa, coletados ainda em 2017. Análises recentes, publicadas na Astrophysical Journal Letters, confirmaram a natureza rochosa do planeta e sua posição privilegiada na zona habitável.
O líder do estudo, Alex Venner, destacou que o HD 137010 b representa "um ponto de encontro entre a Terra e Marte". Sua órbita completa leva 355 dias terrestres, similar ao nosso ano, mas recebe apenas 29% da luminosidade solar que a Terra capta.
Características que favorecem a vida
O que torna o HD 137010 b especialmente interessante é sua estrela hospedeira. Diferente da maioria dos exoplanetas habitáveis conhecidos, que orbitam anãs vermelhas instáveis, ele gira em torno de uma estrela do tipo solar, porém mais fria e menos luminosa.
- Raio: 1,06 vezes o da Terra
- Período orbital: 355 dias terrestres
- Distância da estrela: similar à Terra-Marte
- Temperatura superficial: -65°C a -70°C
- Chance de habitabilidade: 50%
Localizado na borda externa da zona habitável, o planeta apresenta temperaturas médias geladas, comparáveis às de Marte. No entanto, uma atmosfera densa com efeito estufa poderia manter oceanos líquidos sob a superfície.
Essa configuração lembra as condições primitivas da Terra, quando vulcões liberavam gases que aqueciam o planeta ainda sem oxigênio na atmosfera. O HD 137010 b pode representar estágio similar no desenvolvimento de mundos habitáveis.
Por que 50% de chance de habitabilidade
Os cientistas atribuem 50% de probabilidade ao HD 137010 b por dois motivos principais. Primeiro, sua posição exata na zona habitável ainda precisa confirmação definitiva. Segundo, a massa precisa permanece incerta, podendo classificá-lo como super-Terra ou mini-Netuno.
Instrumentos como o telescópio James Webb poderão analisar a atmosfera do planeta em busca de vapor d'água, dióxido de carbono e outros gases essenciais. A detecção de oxigênio ou metano elevaria drasticamente suas chances de abrigar vida microbiana.
Enquanto isso, o achado reforça a teoria de que planetas rochosos na zona habitável de estrelas solares são relativamente comuns na galáxia. Dos mais de 5.500 exoplanetas confirmados, apenas uma dúzia apresenta combinação tão promissora quanto o HD 137010 b.
Impacto para futuras missões espaciais
A descoberta posiciona o sistema HD 137010 como alvo prioritário para observatórios terrestres e espaciais. Sua estrela relativamente brilhante facilita estudos espectroscópicos, técnica que separa a luz estelar para identificar composição atmosférica dos planetas.
Projetos como o Extremely Large Telescope (ELT), em construção no Chile, poderão observar trânsitos do HD 137010 b com resolução inédita. Missões futuras da Nasa e Esa também considerarão o sistema em planejamentos de longo prazo.
- James Webb: análise atmosférica imediata
- ELT (Chile): confirmação de massa e raio
- PLATO (Esa 2026): monitoramento contínuo
- ARIEL (Esa 2029): caracterização completa
O astrônomo enfatizou que, apesar da distância de 146 anos-luz parecer intransponível, avanços tecnológicos podem surpreender. "Estamos apenas começando a entender quantos mundos como o nosso existem por aí", declarou Venner.
Contexto na busca por exovida
O HD 137010 b surge em momento crucial da astrobiologia. Telescópios cada vez mais potentes revelam que nosso Sistema Solar pode ser apenas um exemplo comum na Via Láctea, com bilhões de planetas potencialmente habitáveis.
Diferente de candidatos anteriores em sistemas de anãs vermelhas – sujeitas a erupções que esterilizam superfícies planetárias –, o HD 137010 b oferece estabilidade estelar semelhante à nossa. Essa característica eleva sua relevância científica.
Enquanto sondas como Europa Clipper investigam luas geladas em nosso Sistema Solar, o HD 137010 b expande horizontes para além do Sol. A combinação de mundos próximos e distantes delineia estratégia multifacetada na busca por vida.
Com essa descoberta, a humanidade reafirma seu lugar como exploradora cósmica. O HD 137010 b, ainda invisível a olho nu, já desperta imaginação sobre possível biosfera alienígena a 146 anos-luz de distância.