São Paulo | 23ºC
Qua, 04 de Fevereiro
Busca
Desaparecidos

Desaparecimentos no Brasil batem recorde em 2025 com 84,7 mil casos e média de 232 por dia, maior número desde 2015

31 jan 2026 - 14h59 Joice Gomes   atualizado às 15h02
Desaparecimentos no Brasil batem recorde em 2025 com 84,7 mil casos e média de 232 por dia, maior número desde 2015 Em 2025, o Brasil registrou 84.760 desaparecimentos de pessoas, com média de 232 casos diários. (Imagem: Paulo Pinto/Agencia Brasil)

O ano de 2025 terminou com um alerta vermelho para as autoridades brasileiras. Foram registrados 84.760 casos de desaparecimento de pessoas, o que significa uma média de 232 sumiços por dia em todo o território nacional. Esse número representa um aumento de 4,1% em relação a 2024, quando houve 81.406 ocorrências.

Os dados vêm do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e marcam o maior índice desde o início da série histórica, em 2015. Apesar da criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas em 2019, o problema não para de crescer.

Especialistas apontam para uma combinação de fatores. A subnotificação é um deles, especialmente em comunidades vulneráveis como indígenas, pessoas em situação de rua e vítimas de milícias. Muitos boletins nem chegam às delegacias por medo ou falta de confiança nas instituições.

Queda na pandemia e nova escalada

Entre 2015 e 2019, os números de desaparecimento de pessoas subiam consistentemente, chegando a 81.306 casos no ano da nova política. Só em 2020 e 2021 houve recuo, para 63.151 e 67.362, graças às restrições da covid-19 que mantiveram as pessoas em casa e reduziram registros.

Agora, com a vida voltando ao normal, os casos explodem novamente. Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes), da UnB, explica que a pandemia mascarou o problema, mas não o resolveu. "Há consenso de que a queda foi temporária", afirma ela.

Outro ponto positivo é o aumento nas localizações. Em 2025, 56.688 pessoas foram encontradas, 2% a mais que em 2024 e 51% acima de 2020. Isso reflete melhor integração entre polícias e uso de tecnologias.

Desafios da Política Nacional

A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas completa sete anos, mas ainda enfrenta obstáculos. O Cadastro Nacional, coração da iniciativa, só foi lançado em 2025 e tem adesão de apenas 12 estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Simone Rodrigues critica a fragmentação. "Não temos identidade nacional unificada nem integração biométrica entre estados. Quando acham um corpo, as digitais vão para os 27 entes da federação", diz. O Ministério da Justiça espera integrar todos até o meio de 2026.

Preconceitos persistem nas delegacias. Muitos ainda pedem espera de 24 ou 48 horas para registrar desaparecimento de pessoas, o que atrasa buscas. Campanhas tentam combater isso, mas o mito resiste.

  • Falta de interoperabilidade entre sistemas estaduais;
  • Subnotificação em casos de crimes como feminicídio e tráfico;
  • Estereótipos que minimizam casos de adolescentes;
  • Baixa adesão ao Cadastro Nacional.

Crianças e adolescentes lideram preocupação

Quase 30% dos casos envolvem menores de 18 anos: 23.919 em 2025, alta de 8% ante 2024. São 66 por dia, com meninas representando 62%, invertendo a proporção geral, onde homens são 64%.

Muitos fogem de violência doméstica, mas o Estado precisa evitar julgamentos precipitados. Casos como as crianças de Bacabal (MA) comovem o país e mostram a urgência. Enquanto o total geral subiu 4%, o infantojuvenil saltou mais.

Comparado a 2019, há queda de 14%, mas o ritmo atual preocupa. O Alerta Amber e plataformas como Facebook ajudam, mas faltam recursos para todos os estados.

Casos reais revelam complexidade

O crime contra Daiane Alves de Souza, em Caldas Novas (GO), ilustra os riscos. Desaparecida em dezembro de 2025, seu corpo foi achado dias depois, graças à confissão do síndico. Simone destaca ligações com feminicídio, tráfico e ocultação de cadáveres.

Estados como São Paulo lideram com mais de 20 mil casos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. O DF tem a maior taxa por habitante: 74 por 100 mil.

O Ministério da Justiça reconhece subnotificação e investe em DNA, capacitação e campanhas. Classificar causas é desafio, mas ações integradas podem reduzir números reais de desaparecimento de pessoas.

Perspectivas para 2026

Com integração total do Cadastro Nacional prevista, há otimismo. Projetos como o PL 306/2025, aprovado na CCJ, criam categorias para buscas mais precisas. Familiares cobram agilidade e sensibilidade.

Enquanto isso, o desaparecimento de pessoas segue como drama silencioso. Mais de 84 mil famílias aguardam respostas. O avanço depende de vontade política e tecnologia unificada.

Registrar imediatamente é chave. Qualquer sumiço merece investigação imediata, sem mitos ou preconceitos. O Brasil precisa agir para que 2026 não repita o recorde.

Leia Também
Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke
Ciência Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke
PM de SP reforça atendimento especial para mulheres durante o Carnaval com policiais femininas e Cabine Lilás
Carnaval PM de SP reforça atendimento especial para mulheres durante o Carnaval com policiais femininas e Cabine Lilás
HD 137010 b: planeta candidato à habitabilidade é descoberto
Curiosidades HD 137010 b: planeta candidato à habitabilidade é descoberto
Homem alimenta casa há 10 anos só com baterias de notebook: "Já colecionei mais de 650"
Sustentabilidade Homem alimenta casa há 10 anos só com baterias de notebook: "Já colecionei mais de 650"
Engenheiro desmente mito do bicarbonato e vinagre na máquina de lavar
Limpeza Engenheiro desmente mito do bicarbonato e vinagre na máquina de lavar
“Favelas” suíças superam qualidade de vida de capitais globais
Curiosidades “Favelas” suíças superam qualidade de vida de capitais globais
Telescópio James Webb revela Olho de Sauron e destino do Sol
Astronomia Telescópio James Webb revela Olho de Sauron e destino do Sol
Profissionais qualificados como engenheiros e oceanógrafos trocam carreiras no Brasil por trabalhos braçais no Reino Unido em busca de estabilidade financeira
Imigração Profissionais qualificados como engenheiros e oceanógrafos trocam carreiras no Brasil por trabalhos braçais no Reino Unido em busca de estabilidade financeira
Quem for pego dirigindo com jaquetas ou casacos tomará multa pesada devido a regulamentação
Trânsito Quem for pego dirigindo com jaquetas ou casacos tomará multa pesada devido a regulamentação
Lao Tzu e a liberdade de ser você mesmo na era das redes
Filosofia Lao Tzu e a liberdade de ser você mesmo na era das redes
Mais Lidas
Carros com mais de 10 anos em 2026: novas regras de IPVA, isenção nacional aos 20 anos e fiscalização mais rigorosa que todo dono de usado precisa conhecer agora
IPVA Carros com mais de 10 anos em 2026: novas regras de IPVA, isenção nacional aos 20 anos e fiscalização mais rigorosa que todo dono de usado precisa conhecer agora
Vendas de veículos novos caem 0,38% em janeiro de 2026, revela Fenabrave; motocicletas impulsionam mercado apesar de retração em caminhões
Economia Vendas de veículos novos caem 0,38% em janeiro de 2026, revela Fenabrave; motocicletas impulsionam mercado apesar de retração em caminhões
Ministério da Saúde anuncia 3 mil vagas de residência médica e 900 para especialistas no SUS em 2026: investimento de R$ 3 bilhões fortalece atendimento prioritário
Saúde Ministério da Saúde anuncia 3 mil vagas de residência médica e 900 para especialistas no SUS em 2026: investimento de R$ 3 bilhões fortalece atendimento prioritário
Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke
Ciência Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke