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Correntes de afeto: o trabalho silencioso que leva corações e esperança aos hospitais de Itanhaém

O grupo Gevida, em Itanhaém, mobiliza voluntários na confecção de corações de tecido para doação a hospitais, mantendo viva a tradição da Ação do Coração.

18 mai 2026 - 08h19 Joice Gomes   atualizado às 08h21
Correntes de afeto: o trabalho silencioso que leva corações e esperança aos hospitais de Itanhaém Voluntários do Gevida em Itanhaém durante oficina de confecção de corações para o projeto Ação do Coração. (Imagem: gerado por IA)

O silêncio das salas de espera e a frieza dos corredores hospitalares ganham, em Itanhaém, um contraponto colorido e macio. Integrantes do Gevida (Grupo de Estudos da Vida) têm se reunido em oficinas dedicadas à confecção de corações de tecido, uma iniciativa que vai muito além do artesanato: trata-se de um esforço coletivo para levar conforto emocional a pacientes que enfrentam momentos de fragilidade em unidades de saúde da região.

A ação é parte integrante do movimento Ação do Coração, uma mobilização que já se tornou tradição no calendário da Baixada Santista. O objetivo é simples, porém profundo: incentivar a união entre as pessoas e espalhar mensagens de amor e solidariedade por meio de um símbolo universal. Em Itanhaém, esse propósito ganha força com a dedicação de voluntários que entendem o impacto que um pequeno gesto pode ter na recuperação de quem está acamado.

Um legado que começou com a superação do luto

A força motriz por trás dessa mobilização na cidade é a professora aposentada Izabel Cristina Conceição Marques Massarenti. Sua história com o projeto remete ao início de tudo, em 2012, quando participou da primeira grande mobilização na Praça Mauá, em Santos. Desde então, Izabel tornou-se uma guardiã dessa corrente de afeto, trazendo para Itanhaém a metodologia e, principalmente, a filosofia do movimento idealizado originalmente para honrar a memória de Eduardo Furkini.

Nas oficinas promovidas pelo Gevida, o ambiente é de troca e acolhimento. Entre uma costura e outra, os voluntários compartilham histórias, experiências e o desejo comum de transformar a realidade hospitalar. Cada coração é único, feito à mão, preenchido com fibra e, simbolicamente, com as boas intenções de quem o produz. Não se trata apenas de um objeto decorativo, mas de um "acolhedor" que o paciente pode segurar, sentindo-se lembrado e amparado pela comunidade.

A ciência do afeto no ambiente hospitalar

Estudos na área da humanização hospitalar indicam que estímulos positivos e gestos de carinho podem influenciar diretamente no estado emocional dos pacientes, auxiliando na redução do estresse e da ansiedade durante o tratamento. Quando o grupo Gevida entrega esses corações, eles estão entregando um lembrete de que há uma rede de apoio invisível torcendo por aquela recuperação.

O processo de produção envolve desde a escolha cuidadosa dos retalhos de tecido, sempre priorizando cores vibrantes e texturas agradáveis, até o acabamento final. A participação da comunidade é fundamental, e o movimento está sempre aberto a novos voluntários que queiram aprender a técnica ou simplesmente doar seu tempo para a causa. Em Itanhaém, essa mobilização reforça o espírito de vizinhança e a responsabilidade social que caracteriza a população local.

O movimento Ação do Coração em Itanhaém não termina na confecção. A entrega é o momento ápice, onde a energia depositada nas oficinas encontra seu destino final. Ao serem distribuídos nos hospitais, os corações quebram a monotonia do ambiente clínico e iniciam uma nova jornada de afeto. Para quem doa, fica a satisfação do dever cumprido; para quem recebe, fica a esperança renovada em forma de tecido.

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