Representação editorial dos impactos das chuvas fortes em São Paulo; a Defesa Civil mantém atenção para acumulados elevados no litoral.
(Imagem: gerado por IA)
As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo entre quinta-feira (10) e sábado (12) deixaram ao menos oito pessoas mortas e uma desaparecida, segundo balanço divulgado neste domingo (13) e consultado pelo Diário da Baixada. As ocorrências mais graves foram registradas na capital e na Região Metropolitana, enquanto a Defesa Civil mantém atenção para novos acumulados no litoral paulista.
Na capital, um prédio em construção desabou sobre casas vizinhas na madrugada de sábado (12), na Rua Tequeci, no bairro da Penha, zona leste. Seis pessoas morreram: três mulheres, entre elas uma gestante, dois homens e uma criança. Outras duas vítimas, uma criança e um homem, foram retiradas com vida. Segundo o governo estadual, cinco das vítimas fatais eram bolivianas e uma era paraguaia.
A construção tinha 12 andares e estava embargada desde 2021. A Prefeitura de São Paulo informou que havia ingressado com ação judicial para a demolição da estrutura irregular e que fiscalizações e multas já tinham sido aplicadas. A Controladoria Geral do Município abriu investigação para apurar o histórico de fiscalização, enquanto a Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento.
Enxurrada em Jandira deixou vítima e desaparecido
Em Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, três pessoas foram arrastadas por uma enxurrada. Uma mulher foi encontrada morta na noite de sexta-feira, um homem foi localizado com vida no domingo e outro permanecia desaparecido no balanço mais recente. As buscas se concentravam em um piscinão em Carapicuíba, cidade vizinha.
Outras cidades da Grande São Paulo também registraram transtornos. Em Vargem Grande Paulista houve queda de muro, deslizamentos, queda de barreira e deslocamento de rochas. Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra tiveram registros de alagamentos e quedas de árvores.
Ribeira de Iguape transborda e famílias deixam casas
No Vale do Ribeira, a situação também exigiu ações preventivas. Em Eldorado, o nível do Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros e provocou inundações na área urbana. De acordo com o governo estadual, 54 famílias, somando 173 pessoas, precisaram deixar suas residências. Em Sete Barras, o transbordamento do mesmo rio atingiu vias, propriedades rurais e aproximadamente 50 moradias.
Dados da SP Águas indicavam extravasamentos e níveis elevados em diferentes estações de monitoramento. A Defesa Civil também emitiu dezenas de alertas por SMS e por Cell Broadcast durante o fim de semana, diante das condições meteorológicas e do risco de novas ocorrências.
Baixada Santista segue sob atenção
Para a Baixada Santista e o Litoral Norte, a Defesa Civil estadual manteve previsão de até 150 milímetros de chuva entre domingo (13) e esta segunda-feira (14). O cenário preocupa porque o solo permanece encharcado, o que aumenta a possibilidade de alagamentos, escorregamentos de terra e elevação rápida de rios e córregos.
Na capital paulista, o volume de chuva já vinha muito acima do habitual para setembro. Até a manhã de sábado (12), a estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Mirante de Santana acumulava 198,2 mm no mês, colocando setembro de 2026 entre os mais chuvosos da série histórica iniciada em 1943.
Orientações em caso de chuva forte
A Defesa Civil orienta que a população não atravesse áreas alagadas, nem a pé nem de carro, e mantenha distância de rios, córregos e encostas durante períodos de chuva intensa. Em áreas sujeitas a deslizamentos, sinais como rachaduras no solo ou em imóveis, inclinação de árvores e postes e movimentação de terra exigem saída imediata para um local seguro.
Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. Moradores do litoral devem acompanhar os alertas oficiais ao longo desta segunda-feira, já que os acumulados previstos ainda podem provocar ocorrências pontuais ou agravar áreas já saturadas.
O balanço de vítimas e ocorrências pode ser atualizado pelas autoridades à medida que avançam as buscas, vistorias e levantamentos nos municípios atingidos.