Comunidades tradicionais debatem preservação e sustentabilidade no Sesc Bertioga.
(Imagem: Divulgação)
O avanço imobiliário acelerado e as mudanças climáticas impõem desafios sem precedentes às populações que moldaram a identidade do litoral paulista. Diante dessa realidade, o Sesc Bertioga abre suas portas para a segunda edição do festival "O Mar em Nós". O evento se consolida como um espaço vital de resistência, celebração e articulação política para as comunidades litorâneas tradicionais.
Mais do que uma mostra cultural, o encontro busca trazer visibilidade para grupos caiçaras, quilombolas e indígenas que resistem em territórios cercados pela pressão urbana. Ao centralizar as vozes de quem vive da pesca, do artesanato e da oralidade, o festival propõe um diálogo direto com a sociedade sobre preservação ambiental e justiça social.
A salvaguarda da identidade caiçara no século XXI
A cultura caiçara, nascida do encontro histórico entre indígenas, colonizadores e negros, desenvolveu uma relação simbiótica com a Mata Atlântica e o oceano. No entanto, a especulação imobiliária e a modernização do turismo na Baixada Santista e Litoral Norte muitas vezes empurram essas comunidades para a invisibilidade.
O festival promove oficinas de saberes locais, onde o público pode aprender técnicas de pescaria artesanal, tecelagem de redes e confecção de utensílios de madeira. Essas atividades não são apenas turísticas, mas funcionam como ferramentas pedagógicas para transmitir saberes geracionais que correm o risco de desaparecer com o êxodo dos jovens para os grandes centros urbanos.
Diálogos, culinária caiçara e sustentabilidade
A gastronomia típica e as rodas de conversa são pilares da edição deste ano. A culinária tradicional caiçara ganha protagonismo com pratos preparados a partir de peixes da estação e ingredientes cultivados de maneira sustentável pelas próprias famílias locais, distanciando-se do consumo predatório industrial.
Debates sobre a economia azul e o impacto do turismo de massa nas áreas de preservação também estão na pauta. Representantes de diversas comunidades compartilham suas experiências de autogestão de território e debatem políticas públicas de fomento à cultura litorânea.
Desdobramentos e a preservação do amanhã
A articulação promovida pelo Sesc Bertioga fortalece redes de cooperação que operam muito além do encerramento da programação física. O festival estabelece uma ponte sólida entre a academia, os gestores públicos e os detentores do patrimônio vivo.
À medida que novos modelos de desenvolvimento sustentável ganham espaço no cenário global, a valorização das comunidades tradicionais surge não apenas como um resgate do passado, mas como uma estratégia essencial para a sobrevivência ecológica do litoral brasileiro.