Buscas foram realizadas pelo Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) na Baixada Santista.
(Imagem: Divulgação/Prefeitura de Bertioga)
O desfecho trágico do desaparecimento de uma turista no Guarujá, cujo corpo foi localizado na vizinha Bertioga, joga luz sobre um perigo silencioso que desafia banhistas e equipes de resgate no Litoral Paulista: a força das correntes marítimas da Baixada Santista. Após dias de buscas intensas coordenadas pelo Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), a confirmação da identidade da vítima só foi possível graças ao trabalho minucioso da Polícia Científica, que utilizou exames de necropapiloscopia para superar as barreiras impostas pelo avançado estado de decomposição do corpo.
O encontro do corpo e o desafio da identificação técnica
O corpo foi avistado por moradores e banhistas na faixa de areia em Bertioga, que imediatamente acionaram as autoridades locais. Devido ao tempo de exposição à água salgada e à ação de elementos naturais, o corpo apresentava um estágio avançado de decomposição, o que inviabilizou o reconhecimento visual imediato por parte de familiares.
Diante desse cenário, peritos do Instituto Médico Legal (IML) e profissionais da Polícia Civil concentraram esforços na análise das impressões digitais. A técnica de necropapiloscopia, que consiste na recuperação e confronto de desenhos papilares mesmo em tecidos severamente danificados, foi crucial para garantir uma identificação segura e incontestável, permitindo que a família pudesse iniciar o processo de despedida.
A rota da correnteza: como um corpo deriva do Guarujá a Bertioga
A distância geográfica entre as praias do Guarujá e a costa de Bertioga evidencia o dinamismo das correntes de deriva litorânea que atuam na região. Oceanógrafos explicam que a Baixada Santista é influenciada por sistemas complexos de ventos e marés que empurram massas de água paralelamente à costa, especialmente de sul para norte.
Quando ocorre um afogamento, o corpo pode ser capturado por uma corrente de retorno, popularmente conhecida como canal e levado para além da arrebentação. Uma vez em águas mais profundas, a deriva litorânea assume o controle, transportando objetos e corpos por quilômetros ao longo do litoral antes que a própria dinâmica das ondas os empurre de volta à praia. Esse fenômeno explica por que as operações de busca do GBMar frequentemente expandem seu perímetro para municípios vizinhos nas primeiras horas de um desaparecimento.
Prevenção e os alertas constantes das autoridades marítimas
O GBMar reforça que a maioria dos incidentes graves nas praias paulistas está diretamente ligada ao desconhecimento dessas armadilhas naturais. As correntes de retorno são responsáveis por cerca de 90% dos salvamentos realizados na região. Elas se caracterizam por áreas onde a água aparenta estar mais calma, sem ondas quebrando, o que atrai banhistas desavisados.
A recomendação principal é que os turistas utilizem apenas praias guarnecidas por postos de salvamento ativos e respeitem rigorosamente a sinalização de bandeiras vermelhas. O trágico caso da turista reforça a necessidade de vigilância constante, lembrando que o mar da Baixada Santista esconde dinâmicas físicas implacáveis que exigem respeito e prudência de todos os frequentadores.