A Prefeitura de Santos iniciou a construção da estrutura de contenção do reservatório da Estação Elevatória com Comportas 6 (EEC6), na Avenida Engenheiro Augusto Barata, no Saboó. A obra integra o programa de macrodrenagem Santos Mais e foi projetada para reduzir alagamentos em uma área historicamente vulnerável quando chuvas intensas coincidem com maré alta.

Nesta etapa, as equipes instalam paredes-diafragma de concreto armado que chegarão a 40 metros de profundidade. Essas estruturas formam uma contenção subterrânea para suportar a pressão do solo e da água durante a escavação do reservatório.

Reservatório terá 1,3 mil metros quadrados

A área prevista para o reservatório é de 1,3 mil m². O espaço funcionará como volume temporário de armazenamento durante picos de chuva, evitando que toda a água precise ser escoada imediatamente pela rede convencional.

Esse tipo de solução é usado em sistemas de macrodrenagem para amortecer cheias urbanas. A água fica retida por um período e depois é bombeada para fora do sistema quando há condições mais favoráveis.

Oito motobombas a diesel

A EEC6 contará com oito conjuntos de motobombas movidas a diesel, com capacidade total de 20 m³ por segundo. Segundo a Prefeitura, a vazão permitiria esvaziar uma piscina olímpica em aproximadamente dois minutos.

O uso de equipamentos independentes da rede elétrica amplia a capacidade de funcionamento em situações críticas, quando tempestades podem provocar quedas de energia.

Maré alta agrava problema no Saboó

Em bairros próximos a canais e áreas baixas, o escoamento da chuva pode ficar comprometido quando a maré sobe. A água encontra dificuldade para sair por gravidade e pode retornar ou permanecer represada na rede.

A combinação de reservatório, comportas e bombeamento busca justamente controlar esse efeito, mantendo a água armazenada e forçando a saída para o sistema externo quando necessário.

Investimento chega a R$ 153,3 milhões

A construção da elevatória, da comporta e do canal tem investimento total de R$ 153,3 milhões. Desse montante, R$ 149,2 milhões são financiados pela Corporação Andina de Fomento (CAF), e o restante é bancado pela Prefeitura de Santos.

O financiamento faz parte de um pacote mais amplo de obras de adaptação urbana e drenagem executado pelo município.

Obra exige acompanhamento do solo e do lençol freático

Escavações profundas em áreas próximas ao estuário exigem controle rigoroso de água subterrânea, estabilidade das paredes e movimentação do terreno. As paredes-diafragma são usadas justamente para criar uma barreira estrutural antes da retirada de grandes volumes de solo.

À medida que a obra avançar, outras etapas incluem estruturas hidráulicas, instalação de bombas, sistemas de controle e conexão com canais e redes existentes.

Objetivo é reduzir, não eliminar totalmente, risco de alagamentos

Mesmo obras de grande porte não tornam uma cidade imune a eventos extremos. O desempenho depende da intensidade da chuva, duração, maré e manutenção de canais e redes menores.

A EEC6 deve aumentar a capacidade de resposta do sistema do Saboó, especialmente nos episódios em que o escoamento natural fica limitado pela maré alta.