Motorista relata ter visto “vulto” e sentido tranco antes de atropelamento fatal de jardineiro em Praia Grande.
(Imagem: Reprodução)
O motorista envolvido no atropelamento que matou um jardineiro da Prefeitura de Praia Grande, na Baixada Santista, afirmou à Polícia Civil que viu um “vulto” depois de perder o controle do carro e invadir o canteiro central da Avenida Ayrton Senna da Silva. O depoimento, divulgado nesta quinta-feira (15), apresenta novos detalhes sobre a colisão ocorrida na manhã de quarta-feira (14), próximo à Ponte do Mar Pequeno. A declaração é a versão do condutor e ainda não estabelece a causa do acidente.
O trabalhador municipal realizava serviços de jardinagem quando foi atingido. Equipes de socorro tentaram reanimá-lo, mas a morte foi constatada no local. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência, que também envolveu outro automóvel e uma motocicleta.
O que o motorista disse à polícia?
De acordo com as informações atribuídas ao boletim de ocorrência, o motorista contou que sentiu um tranco na parte traseira do veículo, percebeu o carro inclinar para a esquerda e deixou de conseguir controlar a direção. Ao avançar sobre o canteiro, afirmou ter visto o que descreveu como um “vulto” de uma pessoa.
O relato não esclarece se ele reconheceu o jardineiro antes do impacto. Tampouco comprova, isoladamente, uma falha mecânica. A hipótese de defeito no automóvel integra a apuração e deverá ser confrontada com os vestígios, os registros de vídeo e os demais elementos da investigação.
O condutor também declarou que trafegava a aproximadamente 60 km/h. Trata-se de uma estimativa fornecida por ele, e não de velocidade determinada por perícia. Não há confirmação, nas informações disponíveis, de conclusão técnica sobre a dinâmica da perda de controle.
Bafômetro apontou resultado negativo
Segundo o registro policial, o teste do etilômetro realizado no motorista apresentou resultado de 0,0 miligrama de álcool por litro de ar alveolar. O resultado negativo é um dado relevante da apuração, mas não encerra a investigação sobre outros fatores que possam ter contribuído para a colisão.
O motorista permaneceu no local e colaborou com os procedimentos policiais, conforme as informações divulgadas. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, classificação inicial que poderá ser reavaliada conforme o avanço da investigação.
Como aconteceu o atropelamento na Avenida Ayrton Senna?
O acidente ocorreu na manhã de 14 de outubro, na altura do Viaduto do Sol, perto da Ponte do Mar Pequeno, em um dos acessos entre São Vicente e Praia Grande. O veículo saiu da pista e atingiu a área onde servidores da Secretaria de Serviços Urbanos trabalhavam na manutenção do canteiro central.
Com o impacto, o jardineiro foi lançado em direção à pista e acabou atingido também por outro carro. Um motociclista caiu ao tentar desviar da situação e sofreu ferimentos leves, segundo as informações da ocorrência. O automóvel que iniciou a sequência de colisões capotou.
O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizados. O trabalhador foi encontrado em parada cardiorrespiratória, e as manobras de reanimação não conseguiram salvar sua vida.
Quem era o trabalhador que morreu?
A vítima era um jardineiro de 53 anos que atuava na manutenção de áreas públicas de Praia Grande. Há divergência na grafia do nome completo em relatos publicados sobre a ocorrência; por respeito à família e para evitar identificação incorreta, esta reportagem aguarda confirmação documental antes de reproduzi-lo integralmente.
A Prefeitura de Praia Grande lamentou a morte do servidor e informou que prestava apoio a colegas que presenciaram o acidente. A ocorrência interrompeu um trabalho rotineiro de zeladoria em uma das vias de maior circulação da cidade.
Imagens e perícia podem ajudar a esclarecer a dinâmica
Registros de câmeras de monitoramento mostram a sequência do atropelamento e o deslocamento dos veículos. As imagens são potencialmente importantes para a investigação, mas sua circulação pública não substitui a análise pericial.
Equipes da Polícia Técnico-Científica estiveram no local. A apuração deverá verificar a condição do automóvel, a trajetória percorrida, os vestígios da colisão e os depoimentos dos envolvidos e de eventuais testemunhas.
O que acontece agora?
A Polícia Civil deverá reunir laudos, imagens e depoimentos para estabelecer o que provocou a saída do veículo da pista e se houve responsabilidade penal. A alegação de que o condutor sentiu um tranco e viu um “vulto” permanece sob investigação.
O acidente também reacende a atenção para a segurança de trabalhadores que executam serviços de manutenção em canteiros e margens de avenidas movimentadas. Até a conclusão das apurações, não é possível afirmar que houve defeito mecânico, excesso de velocidade ou outra causa específica para a tragédia.