Céu escuro na cidade de São Paulo em foto de arquivo.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)
A cidade de São Paulo deixou o estado de atenção para alagamentos por volta das 5h desta sexta-feira (16), depois de uma madrugada marcada por chuva intensa, transbordamento de córregos e chamados de emergência. O encerramento do alerta pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) não significa o fim do risco: a aproximação de uma frente fria ainda pode provocar pancadas fortes, rajadas de vento e descargas elétricas ao longo do dia.
Os estados de atenção haviam sido acionados durante a madrugada. Em Santo Amaro, o córrego Águas Espraiadas transbordou na Rua Jorge Duprat, na altura do número 15, e motivou alerta às 2h59. No Ipiranga, o Ribeirão dos Meninos saiu do leito na Avenida Guido Aliberti, próximo ao número 2.805, e a região entrou em alerta às 4h.
Quanto choveu em São Paulo?
Os registros das estações automáticas do CGE mostram acumulados expressivos em poucas horas: 55 milímetros na Vila Constância, 53 milímetros na região do Ribeirão dos Meninos e 51 milímetros na estação da USP. O Jardim Oriental registrou 39 milímetros; a Vila Leopoldina, 35 milímetros; e a região da Sé, 32,2 milímetros.
Na rede telemétrica do Alto Tietê, o ponto do Córrego Sapateiro, na área do Parque Ibirapuera, chegou a 76,6 milímetros. A distribuição irregular da chuva ajuda a explicar por que algumas regiões enfrentaram transbordamentos enquanto outras tiveram volumes menores.
Bombeiros atenderam 15 ocorrências na madrugada
Entre a meia-noite e as 5h30, o Corpo de Bombeiros contabilizou 15 ocorrências na capital e na Região Metropolitana: 11 relacionadas a enchentes, três a quedas de árvores e uma a desabamento. A Defesa Civil também enviou aviso aos celulares de moradores por volta das 2h25, alertando para chuva forte nas zonas oeste e central, possibilidade de granizo, vento e raios.
Previsão para sexta-feira mantém atenção
O CGE prevê muita nebulosidade e períodos de chuva nesta sexta-feira, com temperaturas entre 17°C e 23°C e umidade relativa do ar acima de 70%. Mesmo com momentos de melhora, o solo já saturado eleva a vulnerabilidade de áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos, especialmente se ocorrerem novas pancadas intensas.
Quem precisa circular pela cidade deve acompanhar os comunicados da Defesa Civil e as informações de trânsito antes de sair. Não é seguro atravessar ruas inundadas, mesmo quando a água parece rasa: correntezas, buracos e obstáculos submersos podem colocar pedestres e motoristas em risco. Também é importante manter distância de fios caídos e não procurar abrigo sob árvores durante tempestades.
Enchentes também são alvo de cobrança do Ministério Público
A sequência de temporais ocorre em meio a uma cobrança do Ministério Público de São Paulo sobre as medidas de prevenção e resposta a enchentes adotadas pela Prefeitura. A Promotoria pediu esclarecimentos sobre o temporal de quarta-feira (14), que provocou alagamentos graves, inclusive no túnel do Anhangabaú. A discussão envolve planos de intervenção de curto, médio e longo prazos para reduzir os danos de novas chuvas extremas.
Para esta sexta-feira, a principal orientação é não confundir o fim do estado de atenção com ausência de perigo. Novos avisos podem ser emitidos se as condições meteorológicas voltarem a se agravar.